segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Manual de Prevenção das DST/HIV/Aids em Comunidades Populares



Este Manual destina-se a você, que trabalha pela prevenção das doenças sexualmente transmissíveis (DST) e do HIV/ aids na comunidade onde mora, nas periferias das cidades brasileiras. É um material composto por três cadernos divididos nos seguintes temas:

Caderno I - Afinando Conceitos

Caderno II - Estratégias de Prevenção em Comunidades Populares

Caderno III – Mapeamento, Planejamento e Avaliação

Partimos do reconhecimento de que no Brasil existem muitos e diferentes territórios populares onde há uma concentração de fatores negativos que contribuem para a exposição das camadas populares frente ao HIV/ aids e a outras DST. Mas há também um conjunto de iniciativas populares positivas. Lideranças comunitárias que saem do espaço privado (da família, da vida pessoal) e buscam enfrentar os problemas coletivos, dedicando suas vidas à ação social, entre elas a prevenção do HIV/ aids e a promoção da saúde.

Para elaborar este Manual foram realizados gruposconsulta em sete cidades – Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife, Cuiabá, Manaus e Porto Alegre – a fim de registrar experiências e opiniões sobre a prática da prevenção nas comunidades populares. Os grupos reuniram lideranças comunitárias e representantes de organizações que atuam na prevenção de aids em periferias das cidades brasileiras. Posteriormente, já com uma versão preliminar do texto, foi organizada uma roda de leitura com oito agentes de prevenção para discutir o formato e o conteúdo da publicação. Procuramos retratar todos os debates e propostas nesta publicação, escrita para quem deseja iniciar um trabalho no lugar onde mora, para quem já iniciou e quer novas idéias ou para aqueles que já têm muita experiência, mas querem continuar aprofundando a sua prática.

Este não é um Manual informativo sobre o que é a aids, as doenças sexualmente transmissíveis e seus sintomas ou sobre as formas de tratamento. É um Manual sobre a metodologia (o como fazer) do trabalho de prevenção nas comunidades populares. Aqui você encontrará dicas para aperfeiçoar sua prática, sugestões de atividades, reflexões sobre os principais temas relacionados ao trabalho e alguns exemplos de formulários e relatórios para garantir o registro e a sistematização das suas ações.

Outros assuntos importantes trazidos pela publicação são o planejamento e a avaliação das atividades realizadas.
A proposta é que você possa contar com este Manual para ser sua fonte de inspiração, mas que, acima de tudo, ele seja uma fonte de estímulo e valorização do seu crescimento e da sua própria prática. Esperamos que a ação em comunidades na cidade, no campo, nas florestas e nas áreas rurais do Brasil se beneficie das idéias e dicas aqui propostas, avançando na recriação cotidiana de suas estratégias de prevenção.

O Manual está composto por três cadernos que se complementam. O primeiro caderno – Afinando Conceitos - traz uma discussão sobre os conceitos ligados
à realização do trabalho de prevenção nas comunidades populares. O segundo caderno - Estratégias de Prevenção em Comunidades Populares - apresenta as principais estratégias de prevenção utilizadas pelas diferentes experiências brasileiras participantes deste Manual. O terceiro caderno – Mapeamento, Planejamento e Avaliação - traz uma metodologia de mapeamento, planejamento e avaliação da ação de prevenção que você realiza e uma série de sugestões de relatórios e fichas para você registrar todas as etapas do seu trabalho.

Um glossário - com a explicação de alguns termos, palavras e siglas para que você possa aprender sempre mais e/ou consultar quando precisar - finaliza esta parte. Os termos presentes no glossário estarão indicados ao longo da publicação.
O Manual dialoga com as experiências dos grupos consulta que foram realizados em diferentes cidades. Está, portanto, baseado nas opiniões de quem “faz prevenção” em comunidades populares pelo Brasil afora. Procure ler com o seu grupo de trabalho, discutindo sobre os temas propostas.

Dessa maneira, é possível construir um conhecimento coletivo e seu trabalho de prevenção ficará cada vez mais forte. Queremos continuar ouvindo as idéias das comunidades: ao final da publicação, há uma ficha de sugestões para quem também quer contribuir para essa construção coletiva.

Depois da leitura, escreva sua sugestão e envie para nós!
“Compartilhar nossas lutas, experiências e vitórias é afirmar o quanto somos solidários com a vida”.

Grupo-consulta São Paulo
Material organizado pelo Cedaps - Centro de
Promoção da Saúde

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domingo, 11 de novembro de 2012

Uso Incorreto do Preservativo: Uma Prática Comum



Um estudo levado a cabo por um grupo internacional de investigadores detectou 14 erros comuns no uso do preservativo que diminuem a sua capacidade de prevenir doenças sexualmente transmissíveis (STDs) e gravidez.

O estudo, desenvolvido em 14 países diferentes entre 1995 e 2011, envolveu 50 trabalhadoras do sexo, centros de detecção de infecções sexualmente transmissíveis, casais monógamos, estudantes universitários e adolescentes e permitiu detectar problemas como:

- colocação tardia (entre 17 e 51 por cento);
- remoção precoce (13 a 44.7 por cento);
- desenrolar incompleto do preservativo;
- armazenamento incorrecto;
- reutilização;
- desenrolar do preservativo antes de o aplicar no pénis (25.3 por cento);
- não deixar espaço para a acumulação de sémen;
- licação do avesso com remoção seguida de nova aplicação (4 a 30.4 por cento);
- exposição do preservativo a objectos cortantes (como os dentes) durante a remoção do invólucro (2.1 a 11.2 por cento); e
- não garantir a integridade do preservativo antes da utilização (74.5 por cento dos homens e 82.7 das mulheres).

            De acordo com a principal autora do estudo, Stephanie Sanders do Indiana University's Kinsey Institute for Research in Sex, Gender and Reproduction, aproximar o uso típico do uso correcto do preservativo é essencial para "reduzir muito a epidemia de infecções sexualmente transmissíveis e gravidezes imprevistas."

            Os investigadores reconhecem que o estudo é limitado pela grande variedade de problemas registados nos 50 estudos analisados, bem como pelo facto da maioria dos estudos terem sido realizados em países desenvolvidos, nomeadamente nos Estados Unidos da América.

            Apesar dos investigadores realçarem "serem necessários mais estudos acerca dos erros que surgem no uso do preservativo num maior leque de países" sugerem que os problemas citados "poderão afectar milhões de pessoas." Por exemplo, "a reutilização de preservativos poderá ser mais comum em países menos desenvolvidos ou entre os mais desfavorecidos."


"A recolha de informação relativa aos erros associados ao uso do preservativo e aos problemas em populações distintas poderá ajudar a moldar as próximas campanhas de promoção do uso do preservativo", concluem os investigadores.

http://www.aidsportugal.com

Artes vencedoras de prêmio para tatuadores e manicures irão ajudar em campanhas de prevenção


O Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais divulgou nesta terça-feira, 6 de novembro, o resultado do concurso “Arte, Prevenção e Hepatites para Tatuadores e Manicures”. A iniciativa cultural, feita em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), contou com a participação de 434 profissionais. 

O objetivo do concurso era incentivar a prevenção às hepatites B e C por meio da pintura de unhas e desenhos de tatuagens. No total, foram inscritos 263 trabalhos de manicures, 132 de tatuadores e 39 relatos de experiências. Foram selecionados 147 desenhos de manicures, 106 tatuagens e 28 relatos. As obras focaram a questão da prevenção por medidas de higiene e segurança no ambiente de trabalho; o incentivo ao uso do preservativo e à realização dos testes para diagnóstico; e ao tratamento durante a gravidez para evitar a transmissão vertical.



As obras selecionadas serão utilizadas pelo Departamento para promover materiais e campanhas para práticas seguras e de prevenção em relação às hepatites B e C. A premiação acontece durante as atividades que marcam a semana de 22 de novembro a 1° de dezembro (Dia Mundial de Luta contra a AIDS). 


Tétano acidental




TÉTANO ACIDENTAL
CID 10: A35

Características gerais

Descrição


Doença infecciosa aguda não contagiosa, causada pela ação de exotoxinas produzidas pelo Clostridium tetani, as quais provocam um estado de hiperexcitabilidade do sistema nervoso central.
Clinicamente, a doença manifesta-se com febre baixa ou ausente, hipertonia muscular mantida, hiperreflexia e espasmos ou contraturas paroxísticas. Em geral, o paciente mantém-se consciente e lúcido.


Agente etiológico
C. tetani é um bacilo gram-positivo esporulado, anaeróbico, semelhante a um alfinete de cabeça, com 4 a 10μ de comprimento. Produz esporos que lhe permitem sobreviver no meio ambiente, por vários anos.

Reservatório
O C. tetani é normalmente encontrado na natureza, sob a forma de esporo, podendo ser identificado em: pele, fezes, terra, galhos, arbustos, águas putrefatas, poeira das ruas, trato intestinal dos animais (especialmente do cavalo e do homem, sem causar doença).

Modo de transmissão
A infecção ocorre pela introdução de esporos em solução de continuidade da pele e mucosas (ferimentos superficiais ou profundos de qualquer natureza). Em condições favoráveis de anaerobiose, os esporos se transformam em formas vegetativas, que são responsáveis pela produção de tetanopasminas. A presença de tecidos desvitalizados, corpos estranhos, isquemia e infecção contribuem para diminuir o potencial de oxirredução e, assim, estabelecer as condições favoráveis ao desenvolvimento do bacilo.

Período de incubação
É o período que o esporo requer para germinar, elaborar as toxinas que vão atingir o sistema nervoso central (SNC), gerando alterações funcionais com aumento da excitabilidade. Varia de 1 dia a alguns meses, mas geralmente é de 3 a 21 dias. Quanto menor for o tempo de incubação, maior a gravidade e pior o prognóstico.


Período de transmissibilidade
Não há transmissão direta de um indivíduo para outro.

Suscetibilidade e imunidade
A suscetibilidade é universal, independendo de sexo ou idade. A imunidade permanente é conferida pela vacina, desde que sejam observadas as condições ideais inerentes ao imunobiológico e ao indivíduo. Recomendam-se 3 doses e 1 reforço a cada 10 anos, ou a cada 5 anos, se gestante. A doença não confere imunidade. Os filhos de mães imunes apresentam imunidade passiva e transitória até 4 meses. A imunidade conferida pelo soro antitetânico (SAT) dura cerca de 2 semanas. A conferida pela imunoglobulina humana antitetânica (IGHAT) dura cerca de 3 semanas.


Aspectos clínicos

Manifestações clínicas

O tétano é uma toxiinfecção causada pela toxina do bacilo tetânico, introduzido no organismo através de ferimentos ou lesões de pele (traumático, cirúrgico, dentário, queimaduras, injeções, etc.). A doença apresenta-se sob a forma generalizada ou localizada. Clinicamente, o tétano acidental se manifesta por:
Febre baixa ou ausente – hipertonia muscular mantida, hiperreflexia, espasmos, contraturas paroxísticas espontâneas ou provocadas por estímulos tácteis, sonoro, luminosos ou alta temperatura ambiente. O quadro clínico varia de acordo com o tipo de foco infeccioso. Em geral, o paciente mantém-se consciente e lúcido.
Hipertonia dos músculos – masseteres (trismo e riso sardônico), pescoço (rigidez de nuca), faringe ocasionando dificuldade de deglutição (disfagia), contratura muscular progressiva e generalizada dos membros superiores e inferiores (hiperextensão de membros), reto abdominais (abdômen em tábua), paravertebrais (opistótono) e diafragma levando à insuficiência respiratória. Os espasmos são desencadeados espontaneamente ou aos estímulos.
Período de infecção – dura, em média, de 2 a 5 dias.
Remissão – não apresenta período de remissão.
Período toxêmico – ocorre sudorese pronunciada e pode haver retenção urinária por bexiga neurogênica. Inicialmente, as contrações tônico-clônicas ocorrem sob estímulos externos e, com a evolução da doença, passam a ocorrer espontaneamente. É uma característica da doença a lucidez do paciente, ausência de febre ou febre baixa. A presença de febre acima de 38°C é indicativa de infecção secundária, ou de maior gravidade do tétano.

Diagnóstico diferencial
Em relação às formas generalizadas do tétano, incluem-se os seguintes diagnósticos diferenciais:
Intoxicação pela estricnina – há ausência de trismos e de hipertonia generalizada, durante os intervalos dos espasmos.
Meningites – há febre alta desde o início, ausência de trismos, presença dos sinais de Kerning e Brudzinsky, cefaleia e vômito.
Tetania – os espasmos são, principalmente, nas extremidades, sinais de Trousseau e Chvostek presentes, hipocalcemia e relaxamento muscular entre os paroxismos.
Raiva – história de mordedura, arranhadura ou lambedura por animais, convulsão, ausência de trismos, hipersensibilidade cutânea e alterações de comportamento.
Histeria – ausência de ferimentos e de espasmos intensos. Quando o paciente se distrai, desaparecem os sintomas.
Intoxicação pela metoclopramida e intoxicação por neurolépticos – podem levar ao trismo e hipertonia muscular.
Processos inflamatórios da boca e da faringe, acompanhados de trismo – dentre as principais entidades que podem causar o trismo, citam-se: abscesso dentário, periostite alvéolo- dentária, erupção viciosa do dente siso, fratura e/ou osteomielite de mandíbula, abscesso amigdalino e/ou retro faríngeo.
Doença do soro – pode cursar com trismo, que é decorrente da artrite têmporo-mandibular, que se instala após uso de soro heterólogo. Ficam evidenciadas lesões maculopapulares cutâneas, hipertrofia ganglionar, comprometimento renal e outras artrites. É importante chamar a atenção para as condições que, mesmo excepcionalmente, podem figurar no diagnóstico diferencial do tétano, tais como:
• osteoartrite cervical aguda com rigidez de nuca;
• espondilite septicêmica;
• hemorragia retroperitonial;
• úlcera péptica perfurada;
• outras causas de abdome agudo;
• epilepsia;
• outras causas de convulsões.

Diagnóstico laboratorial e exames complementares
O diagnóstico do tétano é eminentemente clínico-epidemiológico, não dependendo de confirmação laboratorial. O laboratório auxilia no controle das complicações e tratamento do paciente.
O hemograma habitualmente é normal, exceto quando há infecção secundária associada. As transaminases e ureia podem elevar-se nas formas graves. A gasometria e a dosagem de eletrólitos são importantes nos casos de insuficiência respiratória. As radiografias de tórax e da coluna vertebral devem ser realizadas para o diagnóstico de infecções pulmonares e fraturas de vértebras. Hemoculturas, culturas de secreções e de urina são indicadas nos casos de infecção secundária.

Tratamento
O doente deve ser internado em unidade assistencial apropriada, com mínimo de ruído, de luminosidade, com temperatura estável e agradável. Casos graves têm indicação de terapia intensiva, onde existe suporte técnico necessário para manejo de complicações e consequente redução das sequelas e da letalidade. São de fundamental importância os cuidados dispensados pela equipe médica e de enfermagem experientes no atendimento a esse tipo de enfermidade. Os princípios básicos do tratamento do tétano são: sedação do paciente; neutralização da toxina tetânica; erradicação do paciente; debridamento do foco infeccioso e medidas gerais de suporte.

Sedação do paciente – recomenda-se a administração de benzodiazepínicos e miorrelaxantes
(Quadro 1). Checar as doses.
Quadro 1. Recomendação para uso sedativos/miorrelaxantesª





Neutralização da toxina tetânica – utiliza-se a imunoglobulina humana antitetânica (IGHAT) ou, na indisponibilidade, o soro antitetânico (SAT). A imunoglobulina humana antitetânica é disponível, no Brasil, apenas para uso intramuscular (IM), devendo ser administrada em massas musculares diferentes. A dose terapêutica recomendada depende do quadro clínico e do critério médico. O SAT é administrado via IM, distribuído em duas massas musculares diferentes ou via endovenosa (Quadro 2).
Quadro 2. Recomendação para uso soro antitetânicoª






Erradicação do C. tetani – a penicilina G cristalina é a medicação de escolha ou o metronidazol, usado como alternativa (Quadro 3).
Quadro 3. Recomendação para uso do antibióticoª




Debridamento do foco – limpar o ferimento suspeito com soro fisiológico ou água e sabão.

Realizar o debridamento, retirando todo o tecido desvitalizado e corpos estranhos. Após a remoção das condições suspeitas, fazer limpeza com água oxigenada ou solução de permanganato de potássio a 1:5.000. Ferimentos puntiformes e profundos devem ser abertos em cruz e lavados generosamente com soluções oxidantes. Não há comprovação de eficácia do uso de penicilina benzatina, na profilaxia do tétano acidental, nas infecções cutâneas. Além do tratamento sintomático, caso haja indicação para o uso de antibióticos, proceder de acordo com o esquema terapêutico indicado pela situação clínica, a critério médico.





Medidas gerais
• Internar o paciente, preferencialmente, em quarto individual com redução acústica, de
luminosidade e temperatura adequada (semelhante à temperatura corporal).
• Instalar oxigênio, aparelhos de aspiração e de suporte ventilatório.
• Manipular o paciente somente o necessário.
• Garantir a assistência por equipe multiprofissional e especializada.
• Realizar punção venosa (profunda ou dissecção de veia).
• Sedar o paciente antes de qualquer procedimento.
• Manter as vias aéreas permeáveis (se necessário, entubar, para facilitar a aspiração de
secreções).


• Realizar a hidratação adequada.
• Utilizar analgésico para aliviar a dor ocasionada pela contratura muscular.
• Administrar anti-histamínico antes do SAT (caso haja opção por esse procedimento).
• Utilizar heparina de baixo peso molecular (5.000UI, 12 em 12 horas, subcutânea), em pacientes
com risco de trombose venosa profunda e em idosos.
• Prevenir escaras, mudando o paciente de decúbito de 2 em 2 horas.
• Notificar o caso ao serviço de vigilância epidemiológica da secretaria municipal de saúde.



Aspectos epidemiológicos
No Brasil, o coeficiente de incidência do tétano acidental na década de 80 foi de 1,8 chegando a 0,44 por 100 mil habitantes em 1998. No período de 1998 a 2007 houve um declínio progressivo, e o número absoluto de casos por ano passou de 705 para 334, representando uma redução de 52,6% no número de casos. A incidência por 100 mil habitantes no mesmo período passou de 0,44 para 0,17, representando uma redução de 73%. Neste mesmo período a região Sudeste apresentou a maior redução do número absoluto de casos (66,28%), seguida da Norte (54,29%%), Nordeste (52,94%), Centro-oeste (50%) e Sul (27,72%).

Em 2008 foram 331 casos absolutos em todo território nacional, sendo: 39 na região Norte (12%); 110 no Nordeste (33%); 74 no Sudeste (22%); 72 no Sul (22%) e 36 no Centro-oeste (11%). O coeficiente de incidência se manteve igual ao de 2007, ou seja, 1,8 (Gráfico 1); portanto, a redução no número de casos de 2007 para 2008 não foi significativa, abaixo de 1%. No período de 2000 a 2008, 51% dos casos estão concentrados no grupo com a faixa etária entre 25 a 54 anos de idade. Em segundo lugar os casos se concentraram na faixa etária de 55 a 64 anos, somando 17%. No mesmo período, a ocorrência da doença em menores de 5 anos em 2008 diminuiu para 1,4%, incluindo casos em menores de 1 ano. O tétano acidental acomete todas as faixas etárias e, tanto no ano de 2008 como em todo o período citado, a maioria dos casos ocorreu com pessoas entre 25 e 64 anos de idade, sendo o sexo masculino o mais acometido pela doença. A maioria dos casos de tétano acidental ocorreu em agricultores, seguida pelos grupos de aposentados e donas de casa.



Gráfico 1. Número de casos e coeficiente de incidência de tétano acidental.
Brasil, 2000-2008







Outras características da situação epidemiológica do tétano acidental no Brasil é que a partir da década de 90, observa-se aumento da ocorrência de casos na zona urbana. Esta modificação pode ser atribuída ao êxodo rural. A letalidade contínua está acima de 30%, sendo mais representativa nos idosos. Em 2008, esta letalidade foi de 34%, sendo considerada elevada, quando comparada com os países desenvolvidos, onde se apresenta entre 10 a 17%.

Vigilância epidemiológica

Objetivos
• Reduzir a incidência dos casos de tétano acidental.
• Implementar ações de vigilância epidemiológica.
• Conhecer todos os casos suspeitos e investigar oportunamente 100% deles, com objetivo de assegurar diagnóstico e tratamento precoces.
• Adotar medidas de controle, oportunamente.
• Conhecer o perfil e o comportamento epidemiológico.
• Identificar e caracterizar a população de risco.
• Recomendar a vacinação da população de risco.
• Avaliar o impacto das medidas de controle.
• Promover educação continuada em saúde, incentivando o uso de equipamentos e objetos de proteção, a fim de evitar ocorrência de ferimentos ou lesões.



Definição de caso

Suspeito
Todo paciente acima de 28 dias de vida que apresenta um ou mais dos seguintes sinais/sintomas: disfagia, trismo, riso sardônico, opistótono, contraturas musculares localizadas ou generalizadas, com ou sem espasmos, independente da situação vacinal, da história de tétano e de detecção ou não de solução de continuidade de pele ou mucosas.

Confirmado
Todo caso suspeito cujos sinais/sintomas não se justifiquem por outras etiologias e apresente hipertonia dos masséteres (trismo), disfagia, contratura dos músculos da mímica facial (riso sardônico, acentuação dos sulcos naturais da face, pregueamento frontal, diminuição da fenda palpebral), rigidez abdominal (abdome em tábua), contratura da musculatura paravertebral (opistótono), da cervical (rigidez de nuca), de membros (dificuldade para deambular), independente da situação vacinal, da história prévia de tétano e de detecção de solução de continuidade da pele ou mucosas. A lucidez do paciente reforça o diagnóstico.


Descartado
Todo caso suspeito, que após investigação epidemiológica, não preencher os critérios de confirmação.



Notificação
A notificação de casos suspeitos de tétano acidental deverá ser feita por profissionais da saúde ou por qualquer pessoa da comunidade à equipe de vigilância epidemiológica do município, que a encaminhará às equipes de vigilância epidemiológica regional ou estadual e esse nível ao Ministério da Saúde. Após a notificação, deverá proceder-se à investigação imediatamente.

Primeiras medidas a serem adotadas

Assistência médica ao paciente
A hospitalização deverá ser imediata.

Qualidade da assistência
A internação deverá ser o mais precoce possível em unidades específicas de maior complexidade ou unidades de terapia intensiva (UTI). Os pacientes devem ser assistidos por profissionais médicos e de enfermagem qualificados e com experiência na assistência, visando diminuir as complicações, as sequelas e a letalidade. Alguns cuidados são necessários com a internação, como: ambientes com pouca luminosidade, poucos ruídos, temperaturas estáveis. A manipulação deverá ser restrita apenas ao necessário para não desencadear as crises de contraturas. O isolamento é feito pela necessidade de cuidados especiais e não pela infecção, uma vez que a doença não é transmissível.


Proteção individual
Não é necessária proteção especial, pois não há transmissão direta.

Confirmação diagnóstica
O diagnóstico é clínico e epidemiológico.


Proteção da população
O tétano acidental é uma doença imunoprevenível e para a qual existe um meio eficaz de proteção, que é a vacina antitetânica. Frente ao conhecimento de um caso, deve-se avaliar a situação das ações preventivas da doença na área e implementar medidas que as reforcem. Além da vacinação de rotina, de acordo com os calendários de vacinação da criança, do adolescente, do adulto e do idoso destaca-se, em particular, a identificação e vacinação de grupos de risco, tais como, trabalhadores da construção civil, da agricultura, catadores de lixo, trabalhadores de oficinas mecânicas, etc. Destaca-se, ainda, a importância da atualização técnica dos profissionais de saúde quanto ao tratamento adequado dos ferimentos e esquemas vacinais recomendados para prevenção da doença.

Investigação
Imediatamente após a notificação de um caso suspeito, iniciar a investigação epidemiológica para permitir que as medidas de controle sejam adotadas em tempo oportuno. O instrumento de coleta de dados é a ficha epidemiológica, do Sinan, que contém as variáveis de interesse a serem analisadas em uma investigação de rotina. Todos os campos dessa ficha devem ser criteriosamente preenchidos, mesmo quando a informação for negativa. Outros itens e observações podem ser incluídos, conforme as necessidades e peculiaridades de cada situação. É importante a revisão do preenchimento das variáveis da ficha de investigação, para verificar a completitude e consistência das informações antes da digitalização no Sinan. Observar o prazo máximo para o encerramento oportuno do caso (máximo de 60 dias).

Roteiro da investigação epidemiológica


Identificação do paciente
Preencher todos os campos dos itens da ficha de investigação epidemiológica (FIE), do Sinan, relativos aos dados gerais, notificação individual e dados de residência.

Coleta de dados clínicos e epidemiológicos
Para confirmar a suspeita diagnóstica
Anotar, na FIE, dados da história clínica (consultar a ficha de atendimento e/ou prontuário, entrevistar o médico assistente ou alguém da família ou acompanhante e realizar visita domiciliar e/ou no local de trabalho, para completar as informações sobre a manifestação da doença e possíveis fatores de risco no meio ambiente). Acompanhar a evolução do caso e as medidas implementadas no curso da doença e encerrar a investigação epidemiológica no Sistema de Informação.

Para identificação da área de risco
Verificar a ocorrência de outros casos no município, levantar os fatores determinantes, identificar a população de risco e traçar estratégias de implementação das ações de prevenção do tétano.

Observação
Casos de tétano em consequência de aborto, às vezes, podem ser mascarados quanto ao diagnóstico final.



Análise de dados
A qualidade da investigação é fundamental para a análise dos dados coletados, permitindo a caracterização do problema, segundo pessoa, tempo e lugar, e o levantamento de hipóteses e/ou explicações que vão subsidiar o planejamento das ações para solucionar ou minimizar os problemas detectados. Permite, também, maior conhecimento da magnitude do problema e a adoção oportuna das medidas de prevenção e controle.

Encerramento de casos
Após a coleta e análise de todas as informações necessárias à investigação do caso, confirmar o diagnóstico definitivo e atualizar, se necessário, os sistemas de informação (Sinan, SIH-SUS e SIM).

Algumas estratégias recomendadas
• Divulgar a importância e necessidade de prevenção da doença por meio da vacinação dos grupos de risco.
• Sensibilizar os gestores e a comunidade em geral sobre a magnitude do problema (custo/ benefício do tétano, que é uma doença imunoprevenível e tem altas taxas de letalidade em idades produtivas, custo social gerado pelas altas taxas de morbimortalidade, etc.).
• Buscar parcerias com outros órgãos que possam contribuir para intensificação das medidas preventivas (Ministério do Trabalho, Sociedades de Infectologia, Atenção Básica, Saúde do
Trabalhador, ONG, Saúde Indígena, Escolas Técnicas e comunidade em geral, etc.).
• Implementar todas as ações em parceria com os diversos atores envolvidos, atentando para as questões político-gerenciais pertinentes à situação.
• Garantir o funcionamento das salas da vacina nos horários comerciais.
• Aplicar as medidas terapêuticas e profiláticas indicadas, de acordo com a classificação do ferimento, assegurando as doses subsequentes após a alta hospitalar.

Meios disponíveis para prevenção

Vacinação
A principal forma de prevenção do tétano é vacinar a população desde a infância com a vacina antitetânica, composta por toxóide tetânico, associado a outros antígenos (DTP, DTPa, Tetravalente Hib, DT ou dT). O esquema completo recomendado pelo Ministério da Saúde é de 3  doses administradas no primeiro ano de vida, com reforços aos 15 meses e de 4 a 6 anos de idade. A partir dessa idade, um reforço a cada 10 anos após a última dose administrada ou 5 anos se for gestante, (Quadros 4 e 5). Atualmente no Brasil, recomenda-se a vacina Tetravalente (difteria, tétano, coqueluche e Haemophilus influenzae tipo b) para menores de 12 meses e a partir dessa idade é utilizada a DTP e dT. As vacinas DTPa (difteria e coqueluche) e DT (difteria e tétano), conhecida como dupla infantil, são indicadas para uso especial e estão disponíveis nos Centros de Referência de Imunobiológicos
Especiais (CRIE). A vacina dT (conhecida como dupla adulto, composta por associação de toxóide diftérico e tetânico) tem uma eficácia de quase 100%, se observada as condições ideais de conservação e administração inerentes à vacina e ao indivíduo (Manual de Normas de Vacinação, do PNI).
Quadro 4. Esquemas e orientações para vacinação




Conduta frente a ferimentos suspeitos

Quadro 5. Esquema de condutas profiláticas de acordo com o tipo de
ferimento e situação vacinal



Ver recomendações para uso profilático do SAT no Quadro 6.
Quadro 6. Recomendação para uso profilático do soro antitetânico



Ações de educação em saúde
A educação em saúde é uma prática que tem como objetivo promover a formação e/ou mudança de hábito e atitudes. Estimula a luta por melhoria da qualidade de vida, da conquista à saúde, da responsabilidade comunitária, da aquisição, apreensão, socialização de conhecimentos e a opção por um estilo de vida saudável. Preconiza-se a utilização de métodos pedagógicos participativos (criatividade, problematização e criticidade) e diálogo, respeitando as especificidades locais, universo cultural da comunidade e suas formas de organização. As ações de educação em saúde junto à população são fundamentais para a prevenção do tétano, principalmente, buscando parcerias com as áreas afins do Ministério da Saúde, ONG, entidades de classe, Ministério da Educação, Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (CIPA), Sociedade de Infectologia, Conselhos de Enfermagem, Medicina, Odontologia, etc. Os processos de educação continuada, também, devem ser estimulados a fim de promover atualização e/ou aperfeiçoamento dos profissionais de saúde e educação, para melhorar a prática das ações assistenciais e preventivas. Os empresários, gestores e professores devem ser sensibilizados sobre a necessidade da prevenção do tétano e contribuir para manter atualizado o esquema vacinal dos trabalhadores, incluindo o grupo das gestantes, pela importância na prevenção do tétano neonatal. Lembrar que a
vacinação e conservação do cartão de vacinação não é importante apenas para crianças.

Ações de comunicação
É importante a parceria com os diversos meios de comunicação, principalmente quanto à adequação da linguagem a ser utilizada para a população, referente à divulgação da doença e sua prevenção, à necessidade de tratamento precoce e adequado, à notificação de casos e demais medidas, que podem contribuir para sensibilizar a comunidade, alcançando o controle da doença.


Fonte: Guia de vigilância em saúde/MS

Toxoplasmose


ASPECTOS CLÍNICOS E EPIDEMIOLÓGICOS

Descrição - A Toxoplasmose é uma zoonose cosmopolita, causada por protozoário. Apresenta quadro clínico variado, desde infecção assintomática a manifestações sistêmicas extremamente graves. Do ponto de vista prático, é importante fazer uma distinção entre as manifestações da doença, quais sejam:

Toxoplasmose febril aguda - Na maioria das vezes, a infecção inicial é assintomática. Porém, em muitos casos, pode generalizar-se e ser acompanhada de exantema. Às vezes, sintomas de acometimento pulmonar, miocárdico, hepático ou cerebral são evidentes. As lesões resultam da proliferação rápida dos organismos nas células hospedeiras e, quando há manifestações clínicas, essas têm evolução benigna. Há casos em que ocorrem pneumonia difusa, miocardite, miosite, hepatite, encefalite e exantema maculopapular.

Linfadenite toxoplásmica - Geralmente, o quadro se caracteriza por linfadenopatia localizada, especialmente em mulheres e, em geral, envolvendo os nódulos linfáticos cervicais posteriores ou, mais raramente, linfadenopatia generalizada. Esse quadro é capaz de persistir por 1 semana ou 1 mês e pode assemelhar-se à mononucleose infecciosa, acompanhada por linfócitos atípicos no sangue periférico. A linfadenite regional pode estar relacionada à porta de entrada, durante a síndrome febril aguda.

Toxoplasmose ocular - A coriorretinite é a lesão mais frequentemente associada à Toxoplasmose e, em 30 a 60% dos pacientes com esta enfermidade, a etiologia pode ser atribuída ao toxoplasma. Dois tipos de lesões de retina podem ser observados: a retinite aguda, com intensa inflamação, e a retinite crônica, com perda progressiva de visão, algumas vezes chegando à cegueira.

Toxoplasmose neonatal - Resulta da infecção intra-uterina, variando de assintomática à letal, dependendo da idade fetal e de fatores não conhecidos. Os achados comuns são prematuridade, baixo peso, coriorretinite pós-maturidade, estrabismo, icterícia e hepatomegalia. Se a infecção ocorreu no último trimestre da gravidez, o recém-nascido pode apresentar, principalmente, pneumonia, miocardite ou Hepatite Com icterícia, anemia, plaquetopenia, coriorretinite e ausência de ganho de peso, ou pode permanecer assintomático. Quando ocorre no segundo trimestre da gestação, o bebê pode nascer prematuramente, mostrando sinais de encefalite com convulsões, pleocitose do líquor e calcificações cerebrais. Pode apresentar a tétrade de Sabin: microcefalia com hidrocefalia, coriorretinite, retardo mental e calcificações intracranianas.

Toxoplasmose no paciente imunodeprimido - Os cistos do toxoplasma persistem por período indefinido e qualquer imunossupressão significativa pode ser seguida por um recrudescimento da Toxoplasmose. As lesões são focais e vistas com maior frequência no cérebro e, menos frequentemente, na retina, miocárdio e pulmões. As condições mais comumente associadas a essa forma são aids, doença de Hodgkin e uso de imunossupressores.

Toxoplasmose e gravidez - Haja vista que a infecção da mãe é usualmente assintomática, geralmente não é detectada. Por isso, tem-se sugerido a realização de testes sorológicos na gestação, durante o acompanhamento pré-natal. Quando se realiza o diagnóstico, deve ser instituída a quimioterapia adequada.

Sinonímia - Doença do gato.

Diagnóstico - Baseia-se na associação das manifestações clínicas com a confirmação por meio de estudos sorológicos, ou da demonstração ou detecção do agente em tecidos ou líquidos corporais, em lâminas coradas por Wright-Giemsa ou imunohistoquímica, a partir de biópsia ou necropsia, testes biomoleculares ou pela identificação em ensaios experimentais em animais ou cultivos celulares. O aumento dos níveis de anticorpos da classe IgG acima de 1:2048 indica a presença de infecção ativa, sendo extremamente importante ser acompanhada da testagem para anticorpos da classe IgM em sorologias pareadas. Níveis de anticorpos IgG baixos e estáveis (1:2 a 1:500) podem representar infecções crônicas, passadas ou persistentes. Um teste negativo praticamente descarta uma condição clínica suspeita, fazendo-se necessária nova sorologia para descarte, com 8 a 10 dias após a primeira.

Agente etiológico - Toxoplasma gondii, um protozoário coccídio intracelular, pertencente à família Sarcocystidae, na classe Sporozoa. Reservatório - Os hospedeiros definitivos de T. gondii são os gatos e outros felídeos. Os hospedeiros intermediários são os homens, outros mamíferos não-felinos e as aves.

Modo de transmissão - O homem adquire a infecção por três vias:
- ingestão de oocistos provenientes do solo, areia, latas de lixo contaminado com fezes de gatos inrectados;
- ingestão de carne crua e mal cozida infectada com cistos, especialmente carne de porco e carneiro;
- infecção transplacentária, ocorrendo em 40% dos fetos de mães que adquiriram a infecção durante a gravidez.

Período de incubação - De 10 a 23 dias, quando a fonte for a ingestão de carne; de 5 a 20 dias, após ingestão de oocistos de fezes de gatos.
Período de transmissibilidade - Não se transmite diretamente de uma pessoa a outra, com exceção das infecções intra-uterinas. Os oocistos expulsos por felídeos esporulam e se tornam infectantes depois de 1 a 5 dias, podendo conservar essa condição por 1 ano.

Diagnóstico diferencial - Citomegalovírus, malformações congênitas, sífilis, Rubéola, herpes, aids, kernicterus, neuroCisticercose, outras doenças febris. Tratamento - O tratamento específico nem sempre é indicado nos casos em que o hospedeiro é imunocompetente, exceto em infecção inicial durante a gestação ou na vigência de comprometimento de outros órgãos, como coriorretinite e miocardite. Recomenda-se o tratamento em gestantes, recém-nascidos e pacientes imunodeprimidos.

Esquema terapêutico



Gestante - Utilizar Espiramicina, 750 a 1.000mg, VO, a cada 8 horas, ou Clindamicina, VO, na dose de 600mg a cada 6 horas. Na forma ocular, para reduzir a necrose e a inflamação e minimizar a cicatriz, utiliza-se 40mg/dia de Prednisona, por uma semana, e 20mg/dia, por outras 7 semanas. Está contra-indicado o uso de Pirimetamina no 1º trimestre de gravidez, pois é teratogênica, e de Sulfadiazina, no 3º trimestre, pelo risco de desenvolver kernicterus.

Características epidemiológicas - Doença universal. Estima-se que 70 a 95% da população estão infectados.

VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

Objetivo - Não é doença objeto de ações de vigilância epidemiológica, entretanto, possui grande importância para a saúde pública, devido a sua prevalência, apresentação em pacientes com aids e gravidade dos casos congênitos.

Notificação - Não é doença de notificação compulsória.

MEDIDAS DE CONTROLE
Evitar o uso de produtos animais crus ou mal cozidos (caprinos e bovinos); eliminar as fezes dos gatos infectados em lixo seguro; proteger as caixas de areia, para que os gatos não as utilizem; lavar as mãos após manipular carne crua ou terra contaminada; evitar contato de grávidas com gatos.

Recomendação - Em virtude dos altos índices de infecção pelo T. gondii na população em geral, onde geralmente os indivíduos imunocompetentes não desenvolvem a doença, é imperativo que, na vigência da Toxoplasmose, o paciente seja avaliado quanto a possível associação com imunodeficiência. Com o surgimento da aids, tem aumentado o número de casos de Toxoplasmose. Esses pacientes, após o tratamento específico e a cura clínica, devem receber tratamento profilático pelo resto de suas vidas.

Fonte:

DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS
GUIA DE BOLSO
8a edição revista

domingo, 4 de novembro de 2012

O vírus HIV na vida dos jovens


No mundo moderno, o HIV (vírus da AIDS), não é mais sentença de morte. Porém, é preciso travar uma batalha que geralmente se torna ainda mais difícil pelo estigma da doença e pelo preconceito, especialmente por parte das pessoas com quem se tem uma relação íntima.
Atualmente, muitos jovens perderam a noção do perigo e pensam que só poderão contrair o vírus se tiverem os chamados “comportamentos de risco”, como o uso de drogas injetáveis, o hábito de ter vários parceiros sexuais ou a condição de homossexual. Ao mesmo tempo, há aqueles que acreditam que poderão se contaminar por sentar na mesma cadeira de um portador do vírus ou através de um beijo. Outros acreditam que a imunodeficiência é facilmente curável e, por isso, cuidam-se menos, o que faz o número de infectados aumentarem.



Confira alguns depoimentos de jovens de todo o mundo ouvidos por um documentário que retrata tal situação:

·         Christina e Susan Rodríguez – Nova Iorque, Estados Unidos.

Hoje, na cidade de Nova Iorque, há mais de 100 mil pessoas infectadas pelo HIV. Christina Rodríguez e sua mãe, Susan, são duas delas. Christina nasceu com o vírus, mas só foi diagnosticada aos três anos – no mesmo ano em que seus pais souberam que eram portadores. Um ano depois do diagnóstico, o pai de Christina morreu por causa das doenças oportunistas desencadeadas pela imunodeficiência. Alguns anos depois, Susan fundou a Universidade Smart, programa educativo sobre o tratamento e os cuidados para mulheres contaminadas pelo HIV e já afetadas por suas consequências. Christina, hoje adulta, conta como, apesar de ser soropositiva e da grande quantidade de medicamentos que tem de tomar (e que lhe causaram depressão quando estava com 17 anos) soube como seguir em frente.



·         Tender Mayundla – Kwa-Zulu Natal, África do Sul.

O sonho de Tender Mavundla de ser cantora se realizou quando ela chegou à final de um popular concurso na África do Sul. Duas semanas após, no entanto, ela descobriu que estava infectada pelo HIV e foi expulsa da competição. Seu pior sofrimento, contudo, foi à morte do seu bebê, com apenas oito dias. Quando ela engravidou, o vírus a deixou com resistência tão baixa que o bebê nasceu prematuro, aos seis meses, e não conseguiu sobreviver. Agora, Tender terá que conversar com o namorado e lhe contar que é soropositiva. Ao mesmo tempo, ela se preocupa com a irmãzinha mais nova e tem medo também de que ela se infeccione porque, em Kwa-Zulu Natal, onde sua família vive, quase 40% da população estão infectados. O problema na África é gravíssimo.




·          Andrew Evans – Worcestershire, Inglaterra.

Em Worcestershire, na Inglaterra, Andrew Evans está contaminado, mas sua mulher, Michelle, não. O casal recebeu uma ajuda do governo em dinheiro para ser cobaia de uma nova técnica: a ‘lavagem de esperma’, que poderá ajudá-los a terem um filho de um modo que nem Michelle nem o bebê sejam infetados. Andrew foi diagnosticado soropositivo quando estava com 12 anos por causa do sangue contaminado que recebeu aos cinco anos, como parte do tratamento para hemofilia. Ele sabe muito bem como o HIV pode destruir vidas, pois esteve hospitalizado a maior parte da adolescência. Quando estava com 18 anos, os médicos lhe deram apenas duas semanas de vida. Mas os novos medicamentos que foram surgindo salvaram a vida dele e agora a luta é gerar um filho sem colocar em risco a vida das pessoas que mais ama.



terça-feira, 30 de outubro de 2012

AIDS - Síndrome da Imunodeficiência Adquirida





Tratamentos

Ainda hoje, a prevenção contra a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida é o melhor modo de combate. Entretanto, é possível ser soropositivo e viver com qualidade de vida. Basta tomar os medicamentos indicados e seguir corretamente as recomendações médicas. 







Neste quadro também se encaixam as gestantes! A taxa de transmissão do HIV de mãe para filho durante a gravidez, sem qualquer tratamento, pode ser de 20%. Mas em situações em que a grávida segue todas as recomendações médicas, a possibilidade de infecção do bebê reduz para níveis menores que 1%. As recomendações médicas são: o uso de remédios antirretrovirais combinados na grávida e no recém-nascido, o parto cesáreo e a não amamentação. Por isso, é imprescindível fazer o pré-natal!!





Novos estudos

Uma nova terapia contra o HIV, a partir da clonagem de anticorpos específicos contra o vírus, pode complementar ou até mesmo substituir o uso de antirretrovirais. Até agora, a comunidade científica havia desconsiderado o uso dessas células de defesa do organismo humano como tratamento contra a AIDS. Isso porque seus efeitos, apresentados em diversos estudos anteriores, não eram significativos no combate à infecção. No entanto, a pesquisa liderada pelo brasileiro Michel Nussenzweig, pesquisador da Universidade Rockefeller, em Nova York, mostrou que potentes e incomuns anticorpos produzidos em laboratório e combinados a um coquetel de drogas podem manter os níveis do HIV-1 abaixo dos detectáveis pelos exames. As principais limitações da técnica, apresentada na revista Nature, estão na transposição dos estudos de camundongos para humanos e no altíssimo custo de produção dessas células imunes.
LEIA MAIS: Site do Conselho Regional de Farmácia - Notícias - Nova técnica barra o HIV em rato