segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Parasita que causa DST pode estar ligado a câncer de próstata

Estudo avaliou o papel do 'Trichomonas vaginalis' no câncer de próstata.
Parasita leva à doença sexualmente transmissível tricomoníase.
Imagem mostra parasita 'Trichomonas vaginalis' aderido a um tecido vaginal (Foto: Science/Divulgação)
O parasita Trichomonas vaginalis, responsável pela doença sexualmente transmissível tricomoníase, pode estar ligado ao desenvolvimento do câncer de próstata. Segundo um estudo, esse protozoário secreta uma proteína que estimula a inflamação e a proliferação de células da próstata, desencadeando um processo que pode levar ao surgimento ou à progressão do câncer de próstata.
A conclusão é de um estudo publicado na revista científica "Proceedings of the National Academy of Sciences" ("PNAS").
O Trichomonas vaginalis é um parasita muito comum, que infecta cerca de 275 milhões de pessoas ao redor do mundo, segundo os autores do estudo. Em 75% dos homens infectados, a presença do protozoário não produz sintomas.
Em casos sintomáticos, os homens podem sentir coceira ou irritação no pênis, ardor após urinar ou ejacular, além de um corrimento branco no pênis. Já as mulheres afetadas podem sentir coceira ou dor na região genital, desconforto ao urinar ou um cheiro desagradável.
            Estudos anteriores já haviam encontrado uma relação entre a presença da infeção por Trichomonas vaginalis com a severidade do câncer de próstata, mas os mecanismos dessa relação permaneciam desconhecidos.
            Agora, pesquisadores avaliaram o papel de uma proteína secretada pelo parasita, chamada fator de inibição da migração de macrófagos. Como essa proteína é parecida com uma proteína humana sabidamente envolvida no início e progressão de alguns tipos de câncer, os cientistas resolveram estudá-la mais a fundo.
O resultado foi que a proteína avaliada realmente está ligada à proliferação das células da próstata e ao aumento da inflamação da região, o que pode estimular o surgimento e o agravamento do câncer de próstata.

Cautela
Em entrevista à britânica "BBC", Nicola Smith, do Cancer Research UK, afirmou que é preciso cautela antes de relacionar diretamente o câncer de próstata a uma doença sexualmente transmissível. "Este estudo sugere um possível caminho pelo qual o parasita Trichomonas vaginalis poderia incentivar células cancerosas da próstata para crescer e se desenvolver mais rapidamente", diz.
"Mas a pesquisa foi feita apenas no laboratório e evidências anteriores em pacientes não mostraram uma clara ligação entre o câncer de próstata e esta infecção sexualmente transmissível", completa.

# Ficadica



Saiba mais sobre a Tricomoníase


O que é

É uma infecção causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. Nas mulheres, ataca o colo do útero, a vagina e a uretra, e nos homens, o pênis.

Sinais e Sintomas

Os sintomas mais comuns são dor durante a relação sexual, ardência e dificuldade para urinar, coceira nos órgãos sexuais, porém a maioria das pessoas infectadas não sente alterações no organismo.

Formas de contágio

A doença pode ser transmitida pelo sexo sem CAMISINHA com uma pessoa infectada. Para evitá-la, é necessário usar camisinha em todas as relações sexuais (vaginais, orais ou anais). É a forma mais simples e eficaz de evitar uma doença sexualmente transmissível.

Tratamento

Na presença de qualquer sinal ou sintoma dessa DST, é recomendado procurar um profissional de saúde, para o diagnóstico correto e indicação do tratamento adequado. Os parceiros também precisam de tratamento, para que não haja nova contaminação da doença.






sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Vaginites: existe mais de um tipo?


Saiba como diferenciar:
Os sintomas de ardência e prurido são queixas frequentes das mulheres que buscam tratamento nos serviços de saúde atualmente. Nesse sentido, a Vaginite (inflamação da mucosa genital) manifesta-se mais comumente através de prurido (coceira) e ardência e costuma ser resolvida facilmente com o uso de medicamentos de aplicação local. Em se tratando de um quadro inflamatório, é importante ressaltar que a vaginite pode ou não ser causada por uma DST (doença sexualmente transmissível) dependendo do microrganismo causador. Ela pode ser causada por diversos patógenos: fungos, bactérias e protozoários.

Vaginite causada por fungo (Cândida)
É um fungo presente na flora bacteriana vaginal normal. Causa doença se proliferar de maneira excessiva como consequência de tratamentos antibióticos, na presença de tratamentos hormonais ou dependendo do estado imune do paciente. A Cândida aparece com maior frequência durante as estações mais quentes e na presença de umidade visto que seu desenvolvimento não depende de oxigênio. Na maioria das vezes não é uma doença de transmissão sexual. O uso de biquínis ou maiôs molhados por longos períodos também pode favorecer a proliferação deste fungo. Nesse sentido, a opção pelo uso de calcinhas de algodão e evitar uso de meias calças e calças apertadas são medidas de profilaxia.


 




Vaginite causada por bactéria
As bactérias frequentemente envolvidas com esta infecção são a Gardnerella vaginalis e o Streptococcus fecalis, que chegam à região vaginal advindas da região anal. Esta vaginite é favorecida pela prisão de ventre ou por higiene inadequada. Uma alimentação balanceada, rica em frutas e verduras é recomendada. Hábitos saudáveis de higiene são aconselhados bem como a higienização de forma antero-posterior, isto é, indo de frente (vagina) para traz (períneo e ânus).

Vaginite causada por protozoário (Trichomonas vaginalis)
O Trichomonas vaginalis é o agente etiológico da Tricomoníase, uma DST (doença sexualmente transmissível) caracterizada pela presença de corrimento esverdeado e espumoso, ardor intenso que pode aumentar ao urinar, mucosa avermelhada e dor na região. Sendo a vaginite uma das principais manifestações clínicas relacionadas a esta doença. No homem, pode ocorrer ardência urinária ou ser assintomático, isto é, não apresentar sintomas característicos da patologia.
O diagnóstico pode ser feito pela visualização ao microscópio do protozoário flagelado. O tratamento deve ser realizado tanto pela mulher quanto pelo seu parceiro com o uso de medicamentos locais ou orais específicos contra esta infecção.
A prevenção é feita através do uso de preservativos durante as relações sexuais e não compartilhar objetos nem roupas íntimas.





terça-feira, 5 de agosto de 2014

Circuncisão masculina e o HIV/AIDS


A circuncisão, prática realizada há séculos em diversos países, na maioria das vezes por imposição religiosa, nada mais é que uma operação para remoção do prepúcio, pele que recobre a glande do pênis.


Primeiras evidências sobre a relação da circuncisão no combate à AIDS surgiram nos anos 1980. Alguns médicos observaram que a prevalência da infecção pelo HIV, na Ásia e na África, parecia mais baixa, em regiões onde esta prática era adotada por questões religiosas. Só em 2002, foi realizado o primeiro trabalho criterioso, por um estudioso da Universidade de Versalhes, para comparar a prevalência do HIV entre homens submetidos ou não à circuncisão, em Orange Farm, na África do Sul, comunidade com grande número de casos de AIDS.
Após doze meses, resultados indicaram que houve 60% de proteção entre homens heterossexuais operados. Foi quando o comitê de segurança do estudo decidiu interromper o acompanhamento e oferecer a circuncisão para todos os participantes.
Em 2011, o UNAIDS, Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS saudou novos dados que fornecem mais provas de que a circuncisão masculina é eficaz na prevenção do HIV. O estudo, realizado também na África do Sul, mostrou uma redução de 55% na prevalência do HIV e uma redução de 76% na incidência do HIV nos homens operados.
“A ciência está provando que estamos no ponto de inflexão da epidemia”, disse o Diretor Executivo do UNAIDS, Michel Sidibé. “Ações urgentes são necessárias agora para fechar a lacuna entre a ciência e a implementação para alcançar milhões de pessoas que estão esperando por essas descobertas.”
Com os resultados positivos, houve um aumento da prática em diversos países. Muitos países africanos apoiam fortemente o aumento da circuncisão masculina. O Quênia proporcionou a circuncisão voluntária para 290 mil homens em apenas três anos, assumindo a liderança. Os Governos da Tanzânia e Suazilândia lançaram planos para oferecimento de circuncisão médica masculina voluntária e o número de operações também foi bastante elevado.
Acredita-se que a pele que recobre a glande cria um espaço que funciona como reservatório para o HIV (e outros germes) e assegura contato prolongado do vírus com as mucosas, facilitando seu acesso à corrente sanguínea. Assim, o mecanismos de proteção se dá com a remoção desta pele.
Saudando estes resultados e outras descobertas recentes, o UNAIDS ressaltou que ainda não há um método único de proteção total contra o HIV.
“Para atingir o objetivo de zero novas infecções pelo HIV, o UNAIDS recomenda fortemente uma combinação de métodos preventivos do HIV. Estas incluem o uso correto e consistente de preservativos masculinos e femininos, esperar mais tempo antes de fazer sexo pela primeira vez, ter menos parceiros, a circuncisão médica masculina e garantir que o máximo de pessoas possível com necessidade de terapia antiretroviral tenham acesso a esta”, destacou a agência. 
Além da proteção contra o HIV, homens circuncidados apresentam menos infecções pelos papilomavírus, pelo treponema da sífilis e pelos vírus do herpes genital. É importante considerar que para não haver complicações devido à prática invasiva, o procedimento deve ser realizado por pessoas preparadas, em locais adequados e com boas condições de higiene.

sábado, 2 de agosto de 2014

Vacina contra hepatite A é incluída no calendário de vacinação do SUS

O Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira (29) que vai incluir a vacina contra o vírus da hepatite A no Calendário Nacional de Vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS) a partir deste mês. A imunização vai ser direcionada a crianças de 1 ano até 1 ano e 11 meses. A meta do ministério é imunizar 95% desse público em um ano, o que totaliza três milhões de crianças.
A vacina já está disponível nas unidades básicas de saúde pública de 11 estados (Acre, Rondônia, Alagoas, Ceará, Maranhão, Piauí, Pernambuco, Goiás, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul) e do Distrito Federal, segundo o ministério. Nesses estados, os pais que levarem os filhos para vacinar já terão à disposição a nova vacina.
Amazonas, Amapá, Tocantins, Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte, Sergipe, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Pará e Santa Catarina terão a imunização implantada no mês de agosto. Para setembro, ficarão os estado de Roraima, São Paulo e Paraná.
Para atingir a meta de imunizar 3 milhões de crianças em um ano, o ministério informou que já foram distribuídas 1,2 milhão de doses desde o início de julho. A distribuição para o ano de 2014 segue até setembro. O investimento, segundo a pasta, é de R$ 111 milhões.
Com a vacinação contra a hepatite A, o Ministério da Saúde passa a oferecer, de graça, 14 vacinas de rotina no calendário. Ainda segundo o ministério, com a nova vacina, o Brasil passa a ofertar todas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS)
O ministro da Saúde, Arthur Chioro, informou que o investimento nas doses de vacina de hepatite A vai "valer a pena" à medida que as mortes de crianças diminuírem. O governo estima reduzir em 65% o número de casos de hepatite A e em 59% as mortes causadas pela doença.
"Nós conseguimos reduzir o preço para R$ 19,85 a dose. São R$ 111 milhões para garantir a cobertura neste ano, mas à medida que a gente  conseguir reduzir os óbitos, esse investimento é um investimento que vale à pena”, afirmou o representante da pasta.


           A hepatite A é uma doença infecciosa aguda que atinge o fígado. De acordo com a OMS, a cada ano, ocorrem cerca de 1,4 milhão de casos no mundo. Nos países com precárias condições sanitárias e socioeconômicas, a Hepatite A apresenta alta incidência.
De acordo com o Ministério da Saúde, a doença é considerada comum no Brasil, que é considerado uma área de risco para a hepatite A. Foram 3,2 casos para cada 100 mil habitantes em 2013. De 1999 a 2012, foram 761 mortes.
De 1999 a 2013 foram registrados 151.436 casos de Hepatite A no Brasil. A maioria dos casos se concentra nas regiões Norte e Nordeste do país, que juntas representam 55,8% das confirmações do vírus. De 2% a 7% dos casos apresentam a forma grave da doença, que leva à hospitalização e à morte.


A principal forma de contágio da doença é a fecal-oral, por contato entre as pessoas infectadas ou por meio de água e alimentos contaminados.


sexta-feira, 25 de julho de 2014

Dia 28 de julho é o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais




A partir de iniciativa e propostas brasileiras, a Organização Mundial de Saúde (OMS), durante Assembleia Mundial da Saúde realizada em maio de 2010, instituiu a data de 28 de julho como o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais. Desde então, o Ministério da Saúde, por meio do seu Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais da Secretaria de Vigilância em Saúde, vem cumprindo uma série de metas e ações integradas de prevenção e controle nos níveis de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) para o enfrentamento das hepatites virais no Brasil.

Prevenção
Existem várias medidas que podem evitar a transmissão das hepatites virais:



> Usar preservativo em todas as relações sexuais;

> Exigir materiais esterilizados ou descartáveis em estúdios de tatuagem e de piercings;
> Não compartilhar instrumentos de manicure e pedicure;
> Não usar lâminas de barbear ou de depilar de outras pessoas;
> Não compartilhar agulhas, seringas e equipamentos para drogas inaladas e pipadas, como o crack.

Vacinação
A vacina contra a hepatite B deve ser recomendada para jovens até 29 anos, para as populações vulneráveis* (em especial, profissionais do sexo, homens que fazem sexo com homens e usuários de drogas) e para profissionais de saúde. É um direito e é a melhor forma de evitar a hepatite B. Essa vacina faz parte do calendário de vacinação da criança e do adolescente e está disponível em todas as salas de vacina do Sistema Único de Saúde (SUS) – cerca de 32 mil, no total. Todo recém-nascido deve receber a primeira dose logo após o nascimento, preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida. Se a gestante tiver hepatite B, o recém-nascido deverá receber, além da vacina, a imunoglobulina contra a hepatite B, nas primeiras 12 horas de vida, para evitar a transmissão de mãe para filho. Caso não tenha sido possível iniciar o esquema vacinal na unidade neonatal, recomenda-se a vacinação na primeira visita à unidade pública de saúde. A vacina está disponível no SUS desde 1998.

A oferta dessa vacina estende-se, também, a outros grupos em situações de maior vulnerabilidade, independentemente da faixa etária.
Populações mais vulneráveisGestantes, após o primeiro trimestre de gestação; pessoas com doenças sexualmente transmissíveis (DST); bombeiros, policiais civis, militares e rodoviários; carcereiros de delegacia e de penitenciárias; coletadores de lixo hospitalar e domiciliar; comunicantes sexuais de portadores de hepatite B; doadores de sangue; homens e mulheres que mantêm relações sexuais com pessoas do mesmo sexo; lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais; pessoas reclusas (presídios, hospitais psiquiátricos, instituições de menores, forças armadas, entre outras); manicures, pedicures e podólogos; populações de assentamentos e acampamentos; populações indígenas; potenciais receptores de múltiplas transfusões de sangue ou politransfundidos; profissionais do sexo/prostitutas; usuários de drogas injetáveis, inaláveis e pipadas e caminhoneiros.

Diagnóstico
No Brasil, enquanto a hepatite B é mais frequente na faixa etária de 20 a 49 anos, a hepatite C acomete mais pessoas entre 30 e 59 anos. A maioria dessas pessoas desconhece sua condição sorológica. No caso da hepatite C, por exemplo, há pessoas que fizeram transfusão de sangue antes de 1993 (quando não havia teste para diagnosticar a doença) ou que utilizaram seringas não esterilizadas que podem estar infectadas pelo vírus da hepatite C sem saberem. A hepatite é a inflamação do fígado, uma doença que nem sempre apresenta sintomas. 

Muitas pessoas só percebem que estão doentes (principalmente dos tipos B e C) quando as manifestações já são graves, como cirrose ou câncer de fígado. Esses pacientes levam anos para descobrir que estão infectados. Realizar o diagnóstico precoce das hepatites é um dos principais determinantes para evitar a transmissão ou a progressão dessas doenças e suas graves consequências. Os testes para as hepatites estão disponíveis em toda a rede do Sistema Único de Saúde (SUS).

Fique Sabendo
O Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais já mantém uma estratégia de mobilização para o diagnóstico de aids, sífilis e hepatites: o Fique Sabendo. A estratégia, criada em 2003, tem grande aceitação e credibilidade entre profissionais e gestores de saúde pública. As mensagens desta campanha devem estar alinhadas às diretrizes do Fique Sabendo.

O papel do profissional de saúde
O momento de consulta é uma oportunidade que o profissional de saúde tem para, não só recomendar o exame para a aids, mas também o de hepatites e o de sífilis. O resultado do exame de hepatite possibilita ao profissional de saúde notificar a doença e dar à Saúde do país o panorama real do número de casos existentes. Isso é fundamental para o desenvolvimento de políticas de prevenção e combate à doença.

Metas
O Brasil tem como prioridade, até 2015, a realização de campanhas nacionais que estimulem os seus cidadãos a se vacinarem gratuitamente contra a hepatite B e buscarem o diagnóstico precoce. O objetivo é atingir cobertura vacinal superior a 90% e identificar os quase dois milhões de brasileiros que o Ministério da Saúde estima que estejam infectados pelos os vírus B e C.



Mais informações sobre hepatites virais estão disponíveis no link:






domingo, 20 de julho de 2014

Aids: agora, basta um comprimido

A partir de agora, o Ministério da Saúde passa a oferecer a dose tripla combinada para pacientes portadores do HIV e aids. Até então, o Sistema Único de Saúde distribuía os medicamentos Tenofovir (300mg), Lamivudina (300mg) e Efavirenz (600mg) separadamente. Com o novo tratamento, os três poderão ser ingeridos em apenas um comprimido.
 A dose fixa combinada será disponibilizada primeiro nos estados do Rio Grande do Sul e Amazonas (por conta do número de casos). Porém, segundo o médico Fábio Mesquita, diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério, a distribuição se estenderá para os outros estados até o final deste ano.

Conforme Mesquita, o principal ganho com o novo medicamento antirretroviral está na redução do número de pacientes que deixam de dar continuidade ao tratamento. Isso porque o protocolo de tratamento preconiza um comprimido de Tenofovir, um de Efavirenz e mais dois da Lamivudina diariamente. Ingerir apenas um comprimido, ao invés de quatro, será um facilitador.
 Outro ponto positivo destacado por ele é a redução de gastos e a otimização na distribuição dos medicamentos. "A logística fica melhor porque é mais fácil você entregar um medicamento do que entregar três. Fora isso, apesar de não existir um número fechado, estimamos que conseguiremos incluir no tratamento 100 mil novos pacientes com o mesmo custo dos 350 mil atendidos hoje. É claro que não é apenas por conta dos três em um, existem outros medidas de contenção de gastos, mas o medicamento faz parte delas".

"Esse medicamento já era algo perseguido há algum tempo e irá melhorar a adesão ao tratamento. O Brasil está avançando nesse setor. Inclusive, com o novo protocolo, estamos conseguindo iniciar o atendimento mais cedo. Isso, somados à adesão ao tratamento, reflete em um possibilidade menor de transmissão da doença", analisa o médico infectologista e também membro do Comitê Assessor em Terapia Antirretroviral do Ministério da Saúde, Ricardo Hayden. 
Para o também infectologista e vereador santista Evaldo Stanislau, analisando que hoje não há cura para aids, apenas tratamento durante toda a vida, o medicamento três em um é muito importante. 
Porém, ele alerta para o que considera um déficit no atendimento de portadores de HIV com Hepatite C. "Não há interação entre os medicamentos das suas doenças e muitos pacientes morrem por isso. Mas em breve, teremos remédios mais compatíveis e poderemos tentar atender melhor estes pacientes".

 Santos - O diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde, Fábio Mesquita, analisa que, hoje, Santos encontra-se em uma situação relativamente equilibrada em relação à aids. Segundo ele, o Ministério quer se aproximar da cidade que já foi exemplo no enfrentamento da doença. "Ainda não há nada planejada, mas a áera de diagnóstico precoce, que já acontece com o Gapa, pode ser algo a crescer. Enfim, a intenção é pensar em algo para trabalhar mais de perto com Santos".





quinta-feira, 10 de julho de 2014

Vacina contra HIV: um avanço nas pesquisas brasileiras

A infecção da AIDS se dá pelo vírus HIV, que ataca células do sistema imunológico, destruindo glóbulos brancos. A falta de linfócitos diminui a capacidade do organismo de se defender de doenças oportunistas, causadas por microrganismo que normalmente não são capazes de desencadear males em pessoas com sistema imunológico normal.

Desde seu surgimento existem pesquisas para o desenvolvimento de uma vacina, porém encontra-se muitas dificuldades pois o vírus sofre mutações muito rapidamente e além disso o HIV é um retrovírus, isso quer dizer que ele insere o seu genoma no genoma da célula dificultando o reconhecimento pelo organismo humano.

Como é feita a vacina?
Inserida no organismo, a vacina atua diretamente nas células T CD4 – as mais importantes do sistema de defesa do corpo e mais afetadas pelo vírus HIV – aumentando a resposta imune celular.
A premissa é que, se o sistema imunológico conseguir reconhecer o material rapidamente e reagir para destruí-lo, isso fará com que o faça com o vírus HIV de verdade.


Qual a expectativa dos pesquisadores?Segundo Edecio Cunha Neto (pesquisador), o diferencial da vacina é que ela tem como alvo parte do vírus que não se alteram na transmissão entre indivíduos. Na próxima face de testes, com macacos, deverão ser usados 28 animais para injetar os fragmentos de HIV, nos primatas serão usados vírus atenuados como os das campanhas de vacinação. Dessa forma, espera-se que os macacos desenvolvam uma reação imunológica contra os fragmentos.
Os resultados brasileiros já repercutiram no mundo. A Avac (Global Advocacy for HIV Prevention) reconhece os avanços da pesquisa, e cita que, no momento, mais de 30 vacinas estão sendo testadas no mundo. "Difícil dizer qual é a mais promissora. Não sabemos sequer se teremos, com certeza, uma vacina contra o HIV".

Pesquisadores da USP em parceria com o Butantã vem tentando desenvolver uma vacina para combater o vírus, o estudo tem sido feito desde 2001 e espera-se que daqui 3 anos possa começar os testes em humanos. Já foram realizados testes em macacos Rhesus e camundongos e os resultados foram satisfatórios.

A vacina é feita com a inserção de trechos de genes que codificam pedaços de proteínas do vírus causador, tendo como base a ideia de que eles sejam usados dentro da célula para fabricar mini proteínas (peptídeos), sem o vírus original. Esses pequenos pedaços proteicos foram escolhidos com bases em pacientes que apresentam resposta imune alta contra o HIV. A partir dos fragmentos de DNA do vírus, foi produzido o imunizante HIVBr18.