quarta-feira, 22 de abril de 2015

Preservativos à base de poliuretano : uma alternativa ao látex

Alergia ao látex não é desculpa!



De acordo com o médico alergista e presidente da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia de Mato Grosso, Celso Taques, ainda que rara, a alergia ao látex da camisinha não é uma descoberta recente. "A reação alérgica ao látex foi observada com a explosão do vírus da AIDS ao redor do mundo. Percebeu-se que, luvas, cateteres, entre outros artigos usados na medicina desencadeavam uma hipersensibilidade nas pessoas".

Segundo o alergista, o desconhecimento da população e de alguns médicos de que objetos a base de látex podem causar sensibilidade faz com que muitas pessoas não sigam o tratamento adequado ou mesmo não descubram que são alérgicas. "As pessoas se queixam com os médicos de dores, vermelhidão e coceira, e pensam se tratar de outras doenças ou DSTs, mas não imaginam que podem ser alérgicas!", explica.

Mas por que algumas pessoas têm alergia ao látex? Taques diz que existe uma proteína contida na seringueira que é transferida ao látex e, posteriormente, à borracha do preservativo. E pessoas que possuem predisposição genética a ter alergia ao látex ou a outras substâncias possuem maior probabilidade de desenvolver uma sensibilidade exagerada durante o uso da camisinha.




E qual a solução?



Não usar o preservativo por possuir alergia não é uma opção viável. No entanto, ter que se submeter a todo o desconforto e sofrimento que a alergia provoca também não. Pensando nisso, foram desenvolvidos preservativos utilizando outros materiais. Entre eles, o mais popular é o poliuretano (PU).

Além de não desencadearem reações alérgicas, os preservativos de poliuretano possuem outras vantagens em relação aos de látex.  Eles têm uma vida mais longa após serem colocados para a venda. Também podem ser usados com lubrificantes à base de óleos (que danificariam os preservativos de látex). Outra característica é que ele é duas vezes mais forte que o látex, de modo que pode ser muito mais fino, transparente e levemente maior.
 
Uma fábrica em Cambridge, na Inglaterra, lançou um preservativo feito de PU, chamado de Avanti, que logo se tornou um sucesso. Os testes mostraram que a maioria dos usuários (80%) prefere esse tipo de preservativo, principalmente devido ao aumento da sensibilidade.

Mas nem tudo são flores...



Embora existam diversas vantagens sobre o látex, o poliuretano também apresenta certos problemas. Por ser menos elástico, o PU apresenta cerca de duas vezes mais chances de romper ou sair do pênis durante a relação sexual quando comparadas às de látex. Entretanto, as chances de falha quando utilizadas corretamente são suficientemente baixas para serem consideradas seguras.

Os preservativos de PU também costumam a ser bem mais caros que os de látex, tendo seu preço médio variando em torno de R$ 2,20 a R$ 7,53 cada unidade.


Mas o que é o poliuretano?



Poliuretano (denominado pela sigla PU) é um polímero que compreende uma cadeia de unidades orgânicas unidas por ligações de uretânicas, ou de carbamato. 

A criação dos poliuretanos é atribuída ao químico industrial alemão Otto Bayer (1902–1982), que descobriu a reação de poliadição de isocianatos e polióis. O produto foi inicialmente desenvolvido como um substituto da borracha, no início da Segunda Guerra Mundial.
A polimerização dos uretanos ocorre quando se reage uma substância – com dois ou mais isocianatos – com um álcool polifuncional, ou seja, um poliol. As substâncias mais comuns utilizadas na síntese do PU são o diisocianato de parafenileno e o etilenoglicol, como visto na figura abaixo:



A ligação uretânica (vista em destaque abaixo) é muito forte, e é o que dá resistência a esse polímero.



São usados ainda catalisadores apropriados e surfactantes são utilizados com o objetivo de controlar a velocidade da reação de polimerização e o tamanho das células.


Outras aplicações do poliuretano



Esse composto tão versátil é usado na produção de vernizes, colas, pneus, colchões, calçados, além da produção de preservativos, foco nessa postagem.



E por enquanto é só. Até semana que vem, com mais uma postagem!


REFERÊNCIAS

Cangemi, José Marcelo; Santos, Antônia Marli dos; Claro Neto, Salvador. Poliuretano: De Travesseiros a Preservativos, um Polímero Versátil. Revista Química Nova na Escola. Vol. 31. Nº 3. Agosto de 2009. Sociedade Brasileira de Química. Disponível em: < http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc31_3/02-QS-3608.pdf>. Acessado em 22/04/2015.

Festin, M. R. Non-latex versus latex male condoms for contraception (last revised: 1 April 2013). The WHO Reproductive Health Library; Geneva: World Health Organization. Disponível em < http://apps.who.int/rhl/fertility/contraception/cd003550_festinm_com/en/>. Acessado em 22/04/2015.

Gallo, M. F.; Grimes, D.A.; Lopez, L.M.; Schulz, K. F. Non-latex versus latex male condoms for contraception. Cochrane Database Syst Rev. 2006 Jan 25;(1):CD003550.  Disponível em <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16437459>. Acessado em 22/04/2015.

Explicatorium. Disponível em <http://www.explicatorium.com/quimica/Polimero_Poliuretano.php> Acessado em 22/04/2015

Gazeta Digital. Disponível em <http://www.gazetadigital.com.br/conteudo/show/secao/13/materia/179129> Acessado em 22/04/2015

Alunos Online. Química. Disponível em<http://www.alunosonline.com.br/quimica/preservativos-feitos-poliuretano.html> Acessado em 22/04/2015

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segunda-feira, 13 de abril de 2015

Do látex aos preservativos : prevenindo DSTs por barreiras mecânicas

VISTA-SE! - PRESERVATIVO MASCULINO


Considerado hoje o mais seguro método para prevenção de DSTs, o preservativo masculino (popularmente conhecido como camisinha) é também um método contraceptivo. Os preservativos são, inclusive, os únicos métodos a possuírem as duas ações. É um mecanismo de barreira - insto é, que impedem fisicamente a passagem dos espermatozoides. Por esse mesmo princípio, a camisinha impede também a passagem dos agentes patógenos entre as mucosas durante a relação sexual.

A camisinha pode ser fabricada de diversos materiais, sendo o principal o látex. Entretanto, pode ser feita também de poliuretano e, no caso da feminina, de nitrilo. O látex é a substância mais comum, e além de ser mais barato, apresenta uma série de características que o tornam interessante para a fabricação dos preservativos. Os demais materiais serão abordados em postagens futuras.

O látex, de onde se extrai a borracha natural, é um polímero emulsificado. Tal composto é, principalmente, extraído de  árvores do gênero Hevea brasiliensis (seringueira). É o exsudato citoplasmático de células laticíferas, ou produtoras de látex, obtido pela lesão do tecido vegetal. A unidade funcional do látex é o polímero de cis -1,4- poliisopreno, esquematizado na figura abaixo:



O látex é praticamente neutro, com pH 7,0 a 7,2, mas quando exposto ao ar por um período de 12 a 24 horas, o pH cai para 5,0 e sofre coagulação espontânea, formando o polímero que é a borracha , representada por (C5H8)n , onde n é da ordem de 10 000 e apresenta massa molecular média de 600 000 a 950 000 g/mol.

A borracha natural apresenta grande elasticidade, flexibilidade e resiliência. Essas características oferecem aos preservativos a possibilidade da fabricação de um único tamanho para uma variada gama de usuários e a grande resistência à tração, que dificulta os rompimentos Entretanto, somente com o processo denominado vulcanização, que aprimora essas características, pode-se a confeccionar as atuais camisinhas, ultra-finas e ultra-elásticas.

Em 1839 Charles Goodyear descobriu o processo de vulcanização da borracha. O processo consiste na adição de enxofre à borracha, e, posteriormente, seu aquecimento. Assim, ocorrerá quebra das ligações duplas e a formação de pontes de enxofre em seu lugar. Essas pontes formam as chamadas ligações cruzadas. As moléculas da borracha formam uma espécie de rede tridimensional, que reduz a mobilidade e o movimento. O artefato, então, adquire uma forma fixa, não mais moldável, mas ainda elástico e flexível. O material também não mais amolece quando exposta ao calor, e nem congela no frio( ou seja, a borracha, passa de termoplástica para termorrígida).




Para transformar o látex vulcanizado nas camisinhas que conhecemos, uma série de processos envolvem sua fabricação, além de vários testes serem realizados. Esse processo é regulado pela ISO/DIS 29943-1.


FABRICAÇÃO DA CAMISINHA

Após o processo de vulcanização que é o mais importante para obter as camisinhas ultra elásticas e resistentes que conhecemos hoje em dia, a borracha vulcanizada agora ganhará forma passando pelas seguintes etapas até estar pronta para o uso:

1 - Moldes de vidro são imersos em um tanque cheio de látex vulcanizado para dar a forma as camisinhas. Depois disso uma sequencia alternada de estufa e imersão ajudam a reforçar a camada de látex.





2 - Em seguida a camisinha em estado bruto passa por escovas rotativas, formando assim a bainha do preservativo. Logo depois, outra estufa é utilizada para eliminar mais água do composto a fim de se obter a borracha consistente.

3 - Nessa etapa ocorre o processo de lixiviação do látex que busca remover compostos alérgenos do preservativo. Para isso as camisinhas são imersas em tanques com produtos químicos. Tanto substâncias originais do látex quanto produtos adicionados na vulcanização são descartados.

4 - Nesse passo, um jato de água retira os preservativos dos moldes e os lança em uma esteira. O molde será reutilizado após uma lavagem e a camisinha, para eliminar sua consistência grudante, é banhada com talco, sílica e amido de milho. Depois disso, é secada e enviada para os testes de qualidade.

5 - Um destes testes, é a aplicação de uma corrente elétrica para conferir a presença de furos nos preservativos, se houver passagem de carga elétrica, existem defeitos.



6 -Após o teste elétrico, os preservativos são enviados a uma esteira já enrolados, recebem lubrificante. Algumas amostras são enviadas para o teste de insuflação por ar e enchimento por líquido para garantir sua resistência e elasticidade.



QUESTÕES POLÊMICAS

O Vaticano argumenta que a camisinha não protegeria contra o vírus do HIV, pois, supostamente, até mesmo os espermatozoides passariam pela "rede" formada pelo látex. Além disso, ano após ano, um rumor sobre um suposto estudo científico que dizia que o preservativo masculino apresentava diversos poros - que permitiam a passagem dos vírus do HIV - ressurge. Entretanto, estes eram desdobramentos de uma carta enviada ao Washington Times, em 1992. Feito por Mike Roland, então editor da Rubber Chemistry and Technology, o estudo que embasou a carta foi feito, na verdade, com luvas de borracha. 

Estudos demonstraram a efetividade da barreira de látex das camisinhas através  de microscopia eletrônica de varredura, onde evidenciou-se que os mesmos não apresentavam porosidade, que  mesmo vírus de diversos tamanhos não passam através da membrana de preservativos intactos, mesmo quando o artefato é alongado e estressado. A barreira é suficiente para bloquear a passagem , por exemplo, do vírus do HIV (125 nm) e mesmo do vírus da hepatite B (40nm) - um espermatozóde, para comparação, possui cerca de 3000 nm. Assim, quando os preservativos masculinos são usados de forma consistente e correta, a redução do risco da infecção pelo HIV é da ordem de 80 a 95%.

E O PRESERVATIVO FEMININO?

O preservativo feminino também serve para se prevenir contra a aids, hepatites virais e outras doenças sexualmente transmissíveis. Assim como a opção masculina, também evita uma gravidez não desejada. Por ficar dentro do canal vaginal, a camisinha feminina não pode ser usada ao mesmo tempo em que a masculina. É feita de poliuretano, um material mais fino que o látex da camisinha que envolve o pênis. É, também, mais lubrificada.


POR QUE USAR O PRESERVATIVO?

A camisinha é o método mais eficaz para se prevenir contra muitas doenças sexualmente transmissíveis, como a aids, alguns tipos de hepatites e a sífilis, por exemplo. Além disso, evita uma gravidez não planejada. Por isso, use camisinha sempre!!!!

Mas o preservativo não deve ser uma opção somente para quem não se infectou com o HIV. Além de evitar a transmissão de outras doenças, que podem prejudicar ainda mais o sistema imunológico, previne contra a reinfecção pelo vírus causador da aids, o que pode agravar ainda mais a saúde da pessoa.

FONTES: 

Bó, Maria Cristina. Degradação de preservativos masculinos de borracha natural – análise de dados modelagem do processo e previsão do tempo de validade. 2007. Tese (Doutorado em Ciência e Tecnologia de Polímeros). Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, Instituto de Macromoléculas Professora Eloisa Mano – IMA, 2007.

BRASIL, Ministério da Saúde de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e Aids. Manual de Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis. Brasília: Ministério da Saúde, 2005.

CONSELHO REGIONAL DE QUÍMICA - IV REGIÃO. Borracha - química e tecnologia [Sítio eletrônico]. Disponível em: <http://www.crq4.org.br/quimicaviva_borrachas>. Acessado em 12/04/2015.

ONG, Eng Long, . Condom testing contributes to disease prevention. ISO Focus. June 2009. Disponível em: <http://www.iso.org/iso/isofocus_article_on_condoms.pdf>. Acessado em 12/04/2015.

PROJETO RISCO BIOLÓGICO. DIsponível em: ,http://www.riscobiologico.org/pagina_basica.asp?id_pagina=31>. Acessado em 12/04/2015.

MUNDO ESTRANHO Canais. Como é feita a camisinha? . Disponível em : <http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-e-feita-a-camisinha> . Acessado em 13/04/2015.

UOL Notícias. Vaticano diz que camisinha não protege contra Aids. Disponível em : <http://noticias.uol.com.br/inter/reuters/2003/10/09/ult27u38684.jhtm>. Acessado em 12/04/2015.

BRASIL, Ministério da Saúde. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Portal sobre aids, doenças sexualmente transmissíveis e hepatites virais. Disponível em: <http://www.aids.gov.br>

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quinta-feira, 9 de abril de 2015

AIDS: caminhos para a cura

Breve histórico

A AIDS surgiu em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, nos anos 1920, antes de se espalhar pelo mundo, concluíram investigadores que reconstituíram o caminho do vírus responsável pela morte de 36 milhões de pessoas. Os virólogos já sabiam que o HIV foi transmitido de macacos para o homem, mas agora as análises de pesquisadores das universidades de Oxford, na Inglaterra, e de Lovaina, na Bélgica, sugerem que entre os anos 1920 e 1950 uma série de fatores - como a urbanização rápida, a construção de ferrovias na República Democrática do Congo (então Congo belga) e mudanças no negócio do sexo - favoreceu a propagação da aids a partir de Kinshasa.

"Nossa investigação sugere que (...) houve um pequeno momento na época do Congo belga que permitiu a esta cepa do HIV em particular emergir e se propagar", diz o professor Oliver Pybus, do departamento de Zoologia de Oxford e um dos principais autores do estudo. "As informações dos arquivos coloniais indicam que no final dos anos 1940 mais de 1 milhão de pessoas passaram anualmente por Kinshasa via ferrovia", destaca Nuno Faria, da Universidade de Oxford, coautor da pesquisa. "Os dados genéticos nos dizem também que o HIV se propagou muito rapidamente através do Congo, de uma superfície equivalente à Europa Ocidental, deslocando-se com as pessoas pelas ferrovias e hidrovias."

Possíveis curas

Cientistas franceses descreveram um fenômeno natural através do qual eles acreditam que dois homens foram curados da infecção pelo vírus HIV. A pesquisa foi publicada no periódico Clinical Microbiology and Infection e pode abrir caminho para uma nova estratégia de combate à aids. Os dois pacientes, que jamais se submeteram a tratamentos, estavam infectados com o HIV sem terem apresentado sintomas ou uma quantidade detectável de vírus no sangue. Segundo os autores do estudo, o vírus ficou inativo devido a uma alteração em um gene do HIV, que se integrou às células humanas. Eles acreditam que esse processo foi causado pela ação de uma enzima, que pode no futuro ser estimulada com medicamentos para produzir a mesma resposta em mais pacientes. "Esta observação é muito interessante e pode representar um caminho para a cura", explicou Didier Raoult, professor da Faculdade de Medicina de Marselha, na França, e coautor do estudo. Um dos pacientes foi identificado como soropositivo há 30 anos, e o outro em 2011. Nenhum deles apresentava outros fatores de resistência ao HIV conhecidos, como mutações na proteína CCR5, que permite ao HIV infectar as células.

Enquanto isso, em Berlim ...

A cura amplamente reconhecida da AIDS é a do “paciente de Berlim”, como é conhecido o americano Timothy Ray Brown. Por força de uma leucemia, Brown teve de passar por dois transplantes de medula óssea. Os doadores tinham genes resistentes ao HIV, e as cirurgias acabaram nocauteando não só a leucemia, como também a aids. No mês passado, foi divulgado que dois australianos passaram pelo procedimento, obtendo o mesmo sucesso. Mas a cirurgia, cara e arriscada, passa longe de oferecer uma alternativa prática e abrangente para tratar uma doença epidêmica.

Mas quando se terá a cura em massa? 

A comunidade científica quer erradicar a epidemia de aids até 2030. A meta foi anunciada em Melbourne, na Austrália, no fechamento da 20ª Conferência Internacional sobre a Aids, soprando otimismo em um evento que transcorreu entristecido pela morte de seis pesquisadores que rumavam para o encontro a bordo do voo MH17, abatido no leste da Ucrânia em 17 de julho. 

Ainda que o HIV esteja escasso a ponto de não ser detectável, deixar de tomar os antirretrovirais permite que o vírus latente acorde e se restabeleça. Uma cura completa envolveria matar todas as células infectadas. Mas, como a matança não pode ser indiscriminada, sob pena de derrubar também todas as células saudáveis do paciente, é preciso descobrir e/ou aprimorar os modos de atacar apenas o reservatório do vírus. 

Por fim, sabemos que a cura da AIDS está perto e será uma revolução na saúde pública mundial, pelo fato de se poder curar mais de 36 milhões de pessoas. 

Fontes: 


segunda-feira, 6 de abril de 2015

Introdução : Conhecendo as doenças sexualmente transmissíveis e a relação com a bioquímica



Aspectos gerias sobre as Doenças sexualmente transmissíveis (DSTs)

     As doenças sexualmente transmissíveis são patologias de causas múltiplas, que têm em comum a transmissão sexual. Possuem grande disseminação e podem causar danos graves à saúde, tais como distúrbios emocionais, doença inflamatória pélvica (DIP), infertilidade a quadros infecciosos dramáticos, lesões fetais e câncer.

 Explosão de casos


     Após a 2ª guerra houve grande aumento na incidência das DSTs clássicas e surgiram outras doenças com uma característica em comum: a transmissão sexual. Entretanto, como nem todas eram transmitidas apenas por contato sexual, em 1982, estabeleceu-se a seguinte classificação:

                Doenças essencialmente transmitidas por                                            contágio sexual:

  • Sífilis ou Lues
  • Gonorréia ou uretrite gonocócica (blenorragia)
  • Cancro mole
  • Linfogranuloma venéreo
  • Doenças freqüentemente transmitidas por contágio sexual:
  • Donovanose
  • Clamidíase
  • Herpes Genital
  • Condiloma acuminado
  • Hepatite B
  • Hepatite A
  • Fitiríase (pediculose pubiana ou, “chato”)
  • Candidíase


                     Doenças eventualmente transmitidas por contágio sexual:

  • Molusco contagioso
  • Pediculose e Escabiose
  • Shigelose e Amebíase
Causas


     As DST podem ser causadas por vírus, bactérias, protozoários.

     Os vírus são responsáveis por DST como: condiloma, herpes genital, hepatite A e B, infecção pelo HTLV1 e HIV. As bactérias causam a gonorréia, clamidíase, cancro mole e sífilis.

Formas de Transmissão

     As DST são transmitidas por relações sexuais (anais, vaginais e orais) sem uso de preservativo, ou seja, relações desprotegidas. Sua transmissão é possível desde o momento da infecção e, conforme o caso, até depois que nenhum sintoma/sinal seja percebido.


Sinais e Sintomas
  • Secreções purulentas no pênis, ânus ou vagina;
  • Sensação de ardência ou dor ao urinar;
  •  Bolhas, verrugas ou ulcerações nos genitais;
  •  Dor na região pélvica ou abdominal
  •  Dor durante a relação sexual;
  • Presença de lesões bolhosas ou ulceradas na mucosa oral;
  • Presença de adenopatia regional (gânglio linfático enfartado ou linfonodo aumentado, normalmente na região da virilha).     
A bioquímica nessa história

      Entender as interações bioquímicas entre os agentes causadores das doenças sexualmente transmissíveis e o homem é o primeiro passo na busca de mecanismos para prevenir essas doenças. As vacinas utilizadas atualmente cumprem essa expectativa, pois conseguimos reunir nossos conhecimentos químicos, como a especificidade de antígeno e anticorpos devido as interações moleculares, com o conhecimento biológico, entendo que existe uma membrana celular o qual possui proteínas importantes para a identificação. Assim, a bioquímica voltada para a prevenção de dsts explica como o corpo trabalha como um sistema químico, explica o mal funcionamento do corpo na doença e orienta como as terapias devem ser planejadas para restaurar as funções corporais.

     O universo de métodos e técnicas  empregados na prevenção das DSTs é amplo e possibilitará postagens interessantíssimas a respeito. Mãos à obra!




REFERÊNCIAS
Faac Unesp
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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Medicamento para hepatite C tem registro liberado pela Anvisa

Na última segunda-feira, 30 de março, a Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária , concedeu registro do sofosbuvir, medicamento usado para o tratamento da hepatite C crônica. Após o registro de outros dois medicamentos, o declatasvir - em janeiro-, e o simeprevir - em março- este é o terceiro medicamento aprovado pela agência em 2015. O objetivo é que estes medicamentos sejam disponibilizados pelo SUS, Sistema Único de Saúde, até o final do ano. Juntos, esses três medicamentos apresentam um percentual de cura de 90% e alta eficiência no tratamento.

A expectativa é que esse novo tratamento beneficie cerca de 60 mil pessoas nos próximos dois anos. As novas opções terapêuticas tem um tempo reduzido de tratamento - de um ano, em média, para três meses -, redução no número de comprimidos, além de ser de uso oral. A análise desses medicamentos recebeu prioridade por serem de interesse estratégico para as políticas de tratamento da hepatite do Ministério da Saúde.

Sofosbuvir completa lista do novo tratamento para a doença aprovado pela agência este ano.

“Essas importantes incorporações reforçam o compromisso do Ministério da Saúde em ofertar o melhor tratamento disponível para os pacientes com hepatite C e consolidam a política de tratamento da doença que vem sendo desenvolvida pela pasta. Por isso, foi feito o pedido de prioridade de análise, tanto na Anvisa quanto na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec)”, relatou o Diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde, Fábio Mesquita.

O sofosbuvir foi aprovado no Brasil pela Anvisa na forma farmacêutica comprimido e concentração de 400mg. O medicamento apresenta proteção ao paciente quanto ao uso e eficácia, por meio da comprovação da evidência clínica consolidada e o custo-efetividade dos produtos. 

Por ser silenciosa e apresentar sintomas em fase avançada muitas pessoas desconhecem o diagnóstico. No mundo, cerca de 185 milhões de pessoas podem ter sido expostas ao vírus edesenvolvido a infecção crônica, correspondendo a cerca de 3% da população mundial. No Brasil estima-se que 1,4 a1,7 milhão de pessoas estejam infectadas pelo vírus, sendo que aos 45 anos esse índice é maior.

No mundo, o Brasil é um dos poucos países em desenvolvimento que oferece prevenção, diagnóstico e tratamento universal para as hepatites virais em sistemas públicos e gratuitos de saúde. O país criou o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, comemorado o dia 28 de julho, além de lidear o movimento global de enfrentamento da doença.

Sobre a doença:

A hepatite C é causada pelo vírus C (HCV) que está presente no sangue. A transmissão se dá por meio de transfusão de sangue, compartilhamento de material para uso de drogas, higiene pessoal, confecção de tatuagem, colocação de piercings, da mãe infectada para o filho durante a gravidez e sexo sem camisinha com uma pessoa infectada.

Na hepatite C aguda os sintomas são muito raros, sendo os mais frequentes: cansaço, tontura, enjoo e/ou vômitos, febre, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. Quanto mais cedo o diagnóstico mais eficiente o tratamento. A melhor forma de prevenção contra a doença é evitar compartilhar objetos de uso pessoal e uso de preservativo.



quarta-feira, 1 de abril de 2015

A nova era dos contraceptivos masculinos


Com a ascensão dos debates sobre os direitos femininos, evidenciada claramente pelas crescentes correntes de movimentos feministas, surge também à discussão sobre a responsabilidade, hoje majoritariamente feminina, do uso de métodos que evitem a gravidez, de forma reversível.

Atualmente o método contraceptivo masculino existente, a vasectomia, é um método invasivo (uma cirurgia que secciona os tubos deferentes, necessários para a condução dos espermatozoides do seu local de armazenamento - os testículos - até a uretra, por onde podem ser externalizados). Além disso, o método é de complicada reversão. Os dois fatores levam a certa resistência por parte dos homens, somados ao fato de que muitos temem uma diminuição do apetite sexual ou alguma dificuldade de ereção, apesar de a vasectomia não interferir na produção de hormônios masculinos nem em seu desempenho sexual.

Observando a demanda de um método contraceptivo masculino reversível e de fácil uso, aumentam as pesquisas com esse objetivo. Estão em andamento quatro seguimentos diferentes de pesquisa.

A primeira, desenvolvida por uma organização americana sem fins lucrativos, focada no desenvolvimento de abordagens médicas de baixo custo, criou um anticoncepcional masculino que pretende trazer ao mercado até 2017. A Parsemus Fondation anunciou que um polímero reversível não hormonal - que bloqueia os canais deferentes - provou ser eficaz em um estudo com babuínos. Ao contrário da maioria dos métodos femininos de controle de natalidade, o Vasalgel não é hormonal e requer apenas um único tratamento, a fim de ser eficaz durante um período prolongado de tempo. Ao invés de cortar os canais deferentes, como seria feito em um procedimento de vasectomia, o Vasalgel envolve a injeção de um contraceptivo polímero diretamente para esses canais. Este polímero, então, bloqueará qualquer esperma que tente passar através do tubo. A qualquer momento, no entanto, o dispositivo pode ser retirado com outra injeção e o esperma volta à sua “velocidade normal”.

Na segunda linha de pesquisas, cientistas da Universidade Airlangga, na Indonésia, desenvolveram uma pílula masculina com eficácia de 99% e quase sem efeitos colaterais. De acordo com o professor da universidade Bambang Prajogo, a pílula, que é derivada de um arbusto da indonésia, permite que os homens produzam espermatozoides, porém eles são incapazes de penetrar no óvulo. O ingrediente ativo da planta utilizada para produção da pílula interrompe três enzimas do esperma, o que enfraquece e tornam os espermatozoides incapazes de penetrar nos óvulos durante o período de fertilização. No momento, os pesquisadores estão trabalhando na dosagem desse princípio ativo que será introduzida na pílula e esperam criar uma fórmula que faça com que os homens tenham que tomar a pílula horas antes de terem relações sexuais. Os cientistas afirmam que o medicamento não afeta permanentemente a fertilidade masculina. Segundo eles, os espermatozoides voltam ao normal dentro de um mês.

Numa terceira pesquisa, cientistas australianos descobriram uma forma reversível de interromper o esperma, sem afetar o desempenho sexual. Testes em camundongos mostraram que o esperma poderia ficar “armazenado” durante o sexo. A descoberta foi publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences” (Pnas). A equipe da Universidade de Moash, coordenada por Sabatino Ventura, levanta a possibilidade de um contraceptivo seguro, não hormonal e reversível. A pílula funciona ao deletar geneticamente duas proteínas (alfa1A-adrenérgico e P2X1-purinoceptor), o que bloqueia a liberação de espermatozoides durante o ato sexual. A remoção das proteínas em ratos geneticamente modificados resultou em animais machos que estavam completamente estéreis, mas continuavam a acasalar normalmente. Os camundongos não sofreram quaisquer efeitos secundários e foram capazes de posteriormente ter uma prole normal.
Por último, de acordo com uma notícia publicada pelo site Science Daily, um grupo de pesquisadores norte-americanos descobriu que a JQ1, uma substância desenvolvida para o tratamento do câncer, pode fazer com que a contagem de espermatozoides e a mobilidade dessas células sejam drasticamente reduzidas, apresentando profundos efeitos sobre a fertilidade. Os testes foram realizados com ratinhos de laboratório, apresentando resultados bastante satisfatórios. Segundo os pesquisadores, a JQ1 inibe a produção de uma proteína chamada BRDT, essencial para a fertilidade masculina. A boa notícia é que a substância não afeta o desempenho sexual, não altera os níveis de testosterona, não é um método invasivo e não apresenta efeitos colaterais, além de tornar a fertilidade totalmente reversível, uma vez seja suspenso o uso da JQ1. Os testes clínicos devem ser iniciados em breve e os pesquisadores estão confiantes de que os resultados apresentados pelos animais também serão observados em humanos.

Divisão da responsabilidade

Apesar de ainda estar longe de virar uma realidade acessível nas farmácias, a possibilidade de um anticoncepcional masculino pode provocar alterações profundas nas relações sexuais entre homem e mulher. Para a psicóloga especialista em sexualidade Aparecida Favoreto, eles poderão assumir mais responsabilidades.

- Isso dá ao homem um poder maior para decidir sobre a sua reprodução. Também responsabiliza mais, porque o peso dessa decisão não fica só com a mulher - opina a mestre em saúde coletiva, que também alerta: - Muitos homens usam camisinha mais preocupados em não engravidar do que com as doenças sexualmente transmissíveis. O lado ruim é que isso poderia trazer um relaxamento no uso da camisinha.

“Mais de 23 mil homens e mulheres assinaram uma petição clamando por novos métodos (contraceptivos), e 18 mil pessoas estão aguardando notícias dos exames clínicos de Vasalgel. Homens desesperados para ter mais controle sobre o seu destino reprodutivo já doaram milhares de dólares para o projeto”, escreveu Elaine Lissner, diretora da Parsemus, em um artigo publicado no The New York Times, sobre o anticoncepcional masculino.

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