sábado, 6 de dezembro de 2014

DSTs podem comprometer a fertilidade


O número de jovens infectados vem aumentando e pode prejudicar possibilidade de gestação


Os jovens brasileiros estão recebendo cada vez mais informações em relação as formas de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Segundo uma pesquisa do ministério da saúde, realizado em parceria com instituto brasileiro de geografia e estatística (IBGE) e com apoio do ministério da educação, 89,1% dos adolescentes dizem ter recebido algum tipo de orientação sobre doenças sexualmente transmissíveis (DST) e 69,7% dos entrevistados sabiam que é possível adquirir preservativos gratuitamente no sistema único de saúde (SUS).

No entanto, mesmo com a informação em mãos, a população mais atingida pelas DST é formada por jovens em idade reprodutiva. Ocorrem, no mundo, cerca de 340 milhões de casos de DST por ano, dos quais mais de 10 milhões estão no Brasil. Consideradas como um dos problemas de saúde pública mais comuns em todo o mundo, algumas dessas infecções (causadas por vírus, fungos, protozoários e bactérias) afetam significativamente a saúde sexual e reprodutiva feminina, principalmente quando não tratadas. Dentre essas doenças se destaca a clamídia, a DST mais prevalente no mundo. Entre as principais consequências, é possível ressaltar a gravidez ectópica e a infertilidade. 

As doenças sexualmente transmissíveis estão entre as principais causas de busca por assistência no mundo, com grandes consequências econômicas, sociais e sanitárias. O problema é que muitas vezes essas infecções são silenciosas. Algumas dessas doenças afetam significativamente a saúde sexual e reprodutiva feminina e tornam o organismo mais vulnerável a outras doenças. 

Usar preservativos em todas as relações sexuais é o método mais eficaz para a redução do risco de transmissão das DST. Além de prevenir contra doenças, ele ajuda a manter a mulher saudável do ponto de vista reprodutivo. No caso de infertilidade, as infecções que mais podem afetar são aquelas que atuam sobre as tubas uterinas, estrutura que transporta o espermatozoide ao óvulo e leva o embrião ao útero. 

Algumas bactérias mais agressivas provocam uma Doença Inflamatória Pélvica (DIP) causando dilatação e posterior obstrução tubária. Entre as mais frequentes estão à bactéria gonococo (causador da gonorreia) e a clamídia que pode ser totalmente assintomática e obstruir as tubas. 

A boa notícia é que grande parte das DST tem tratamento e, se descoberta ainda no início, não costuma ter graves consequências. A melhor forma de detectar se você se contaminou é, no caso de uma relação desprotegida, procurar o seu médico. Faça isso o mais rápido possível para que a doença seja tratada logo no início e não acabe ou adie o seu sonho de ser mãe. 

Conheça como as principais doenças sexualmente transmissíveis podem dificultar uma possível gravidez: 

Sexo seguro é a melhor forma de prevenção!!!

  • HPV

Sintomas: causada pelo Papilomavírus humano, a doença traz manchas esbranquiçadas ou verrugas róseas ou acinzentadas no aparelho genital feminino e masculino, assim como coceira na vulva e dor durante a relação sexual.

Transmissão: relações sexuais, contato com a pele de portadores de verrugas do HPV.

Tratamento: cauterização elétrica com bisturi, crioterapia e cauterização por laser.

Complicações: em 95% dos casos, o HPV está associado a casos de câncer de colo de útero. O vírus também pode causar a proliferação das verrugas na vagina, na região anal ou no períneo. 

  • Sífilis

Sintomas: primeiro aparecem bolhas de casco duro, indolores, na região genital. Em seguida, surgem manchas rosadas, na palma das mãos e na planta dos pés e os gânglios da virilha ficam inchados.

Transmissão: Por relação sexual, transfusão de sangue ou de mãe para o feto.

Tratamento: Antibióticos.

Complicações: Gestantes com a bactéria podem sofrer partos prematuros e aborto ou o bebê pode ter alguma malformação. Por isso, é importante fazer este exame no pré-natal. A doença também atinge o sistema nervoso central e o coração. 

  • Gonorreia

Sintomas: corrimento amarelado com pus, ardor na hora de fazer xixi, coceira e dor na região pélvica.

Transmissão: sexual, se o parceiro está infectado, o risco de contrair a doença chega a 90%.

Tratamento: Antibióticos via oral.

Complicações: Se a mulher não se tratar, a bactéria pode subir pelo canal cervical e se alojar na região do útero, inflamando órgãos da pelve. A doença pode causar infertilidade ou aborto espontâneo. Em cerca de 20% das mulheres, provoca algum tipo de doença nas trompas. 

  • Clamídia

Sintomas: estima-se que em 70% dos casos os sintomas não aparecem. Algumas pessoas sentem ardor na uretra e na vagina e têm corrimento com o aspecto de clara de ovo. Podem ocorrer dores durante a relação sexual.

Transmissão: sexual, outros tipos da bactéria, transmitidas pelo ar, causam pneumonias e infecções.

Tratamento: antibióticos.

Complicações: Inflamações dos órgãos da pelve (útero, ovário, bexiga e parte do intestino grosso), infertilidade (na mulher e no homem), parto prematuro.

  • Herpes genital

Sintomas: Pequenas bolhas aparecem principalmente na parte externa da vagina e na ponta do pênis, que viram feridas e causam dor.

Transmissão: Pelo líquido que sai das feridas durante sexo oral, vaginal e anal.

Tratamento: Não há cura, mas controle, medicamentos de via oral ou em pomada ajudam a aumentar a imunidade e tornar as crises menos frequentes. Quando o organismo está mais enfraquecido, a herpes pode aparecer.

Complicações: Aborto, parto prematuro, infecção do útero. Na gravidez, o sistema nervoso do bebê pode ser atingido.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Vírus da Aids pode curar leucemia?



Tratamento com 30 pacientes mostra que HIV desativado inserido em células brancas combate o câncer

O americano Marshall Jensen, 30 anos, recebeu o diagnóstico de leucemia linfoblástica aguda em 2012 e passou os últimos dois anos em busca de um tratamento eficaz. Na  Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, participou de um experimento que consiste no implante de células brancas do sangue com o vírus HIV, causador da Aids, desativado. Dos 30 pacientes envolvidos no estudo, 23 estão vivos, sendo que 19 estão em remissão (ausência dos sinais da doença), incluindo Jensen. Os dados são do jornal Daily Mail.
A ligação entre leucemia e o vírus HIV foi descoberta em 2006, quando um homem soropositivo chamado Timothy Wood foi diagnosticado com leucemia mieloide aguda. Depois de receber um transplante de medula óssea de um doador com uma mutação genética rara, o câncer de Wood entrou em remissão e o HIV desapareceu do seu sistema, tornando-se o primeiro homem a ser totalmente curado do vírus.
Desde então, o médico Carl June e sua equipe têm trabalhado no desenvolvimento de um tratamento à base de HIV para a leucemia e, em outubro deste ano, publicaram um estudo mostrando o sucesso da terapia em 30 pacientes com câncer. Extraíram linfócitos T, que pertencem a um grupo de glóbulos brancos do sangue, dos pacientes e implantaram HIV desativado. As células foram, então, inseridas no corpo para lutar contra o câncer e permanecem dormentes até que a doença reapareça.
É um vírus desativado, mas mantém a característica essencial do HIV, que é a capacidade de inserir novos genes nas células”, explicou June. Os especialistas querem desenvolver tratamento com o vírus HIV contra outras formas de câncer. 
"Parecia a coisa certa. Nós não sabíamos como iríamos chegar lá, o que iríamos fazer, mas funcionou. Pela graça de Deus, fui capaz de voltar”, disse Jensen, que recebeu uma festa ao voltar para casa depois de dois anos de viagem em busca de uma cura. Emma Whitehead, de 7 anos, foi a primeira criança a receber o tratamento em 2012 e está livre do câncer há dois anos.
Entendendo a leucemia.. 


Entendendo o HIV

Problema: quadro semelhante a gripe/resfriado



sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Estudo mostra que sêmen prejudica eficácia de gel anti-HIV

                                    

O sêmen parece interferir nos géis microbicidas usados para evitar a infecção por HIV, o que possivelmente explica porque funcionam em laboratório, mas não em situações da vida real, afirmaram cientistas.
Fragmentos de proteínas, encontrados no sêmen, dificultam o trabalho de microbicidas aplicados na vagina, destacou a pesquisa publicada na revista “Science Translational Medicine”.
Conhecidas como fibrilas amiloides, estas partículas no sêmen "atuam como uma cola, prendendo partículas de HIV na superfície da célula, estimulando a infectividade viral", destacou o estudo, conduzido por cientistas da Universidade da Califórnia, em San Francisco, e da Universidade de Ulm, na Alemanha. "Este efeito subjuga a atividade anti-HIV dos microbicidas", continuou.
Estes microbicidas foram desenvolvidos originalmente como uma forma de habilitar as mulheres da África subsaariana a se proteger, devido à dificuldade que podem encontrar para negociar o uso de preservativos com seus parceiros.
"No entanto, a primeira geração de microbicidas foi amplamente ineficaz ou, pior, alguns inclusive levaram a um aumento da transmissão do vírus", disse o autor principal do estudo, Warner Greene, diretor do Instituto Gladstone de Virologia e Imunologia.
A co-autora do estudo, Nadia Roan, do Departamento de Urologia da Universidade de San Francisco, na Califórnia, afirmou que as últimas pesquisas se baseiam em estudos anteriores. "Nós demonstramos anteriormente que o sêmen intensifica a infecção pelo HIV, mas esta foi a primeira vez que demonstramos que esta capacidade reduz claramente a eficácia antiviral dos microbicidas", concluiu.
O efeito foi o mesmo em todos os microbicidas testados no estudo, exceto o Maraviroc, que é avaliado para uso como microbicida e atualmente é utilizado como um tratamento para HIV/Aids.
Este medicamento age de forma diferente à dos microbicidas que atacam o HIV. Ao contrário destes, ele se liga a um co-receptor de células hospedeiras para impedir que o vírus entre na célula.
"Os resultados indicam que o Maraviroc é um promissor candidato a microbicida e sugerem que futuros microbicidas devem ser testados 'in vitro' na presença de sêmen", destacou o estudo.
O gel anti-HIV

Pesquisadores da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, estão desenvolvendo um gel que promete combater o vírus da Aids presente no esperma. Desta forma, as mulheres estariam protegidas do contágio durante as relações sexuais. Com o uso, as grávidas também impedem que seus bebês também se contaminem.

Conhecido também como "camisinha líquida", o produto contém o fármaco raltegravir, que reduz a quantidade de HIV na corrente sanguínea e será aplicado como um gel lubrificante, criando uma cobertura protetora na vagina. Em contato com o sêmen, o gel libera drogas antivirais que atacam o HIV. Segundo os pesquisadores, a substância não deve causar efeitos colaterais ou desconforto durante as relações.
"O que nós fizemos neste estudo foi identificar uma droga anti-HIV que bloqueia a integração do vírus ao DNA", explicou à AFP Walid Heneine, co-autor do trabalho.
Esse gel é um tipo de microbicida, novo grupo de medicamentos para combater as DST, doenças sexualmente transmissíveis.
O gel foi testado na região vaginal de seis macacas e foi aplicado até três horas depois da exposição a um vírus de imunodeficiência similar, encontrado em primatas e semelhante ao HIV que afeta seres humanos.
O estudo mostrou que o gel preveniu que o vírus afetasse cinco das seis macacas, para uma taxa de 84% de eficácia, segundo relatório da revista Science Translational Medicine.
A pesquisa está em andamento para também tentar desenvolver um gel retal, segundo Heneine.
Antes de chegar ao mercado, o produto ainda deve passar por mais uma bateria de testes em animais e humanos, um processo que pode levar de cinco a dez anos.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Dois novos remédios para tratamento da Aids serão distribuídos gratuitamente no SUS

Uma inovação é o medicamento ritovanir 100mg na apresentação termoestável; outra é um comprimido ‘2 em 1’



A partir dessa semana, o Ministério da Saúde vai iniciar a distribuição de duas novas formulações de medicamentos para os pacientes de Aids pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Cerca de 135 mil pessoas serão beneficiadas em tratamento com as  novas formulações.

Ilustração do vírus HIV na corrente sanguínea - Terceiro / Agência O Globo

Uma das inovações para o tratamento contra a doença é o medicamento ritovanir 100 mg na apresentação termoestável, que poderá ser mantido em temperatura de até 30ºC. Segundo o Ministério, a distribuição da nova fórmula representa um grande avanço, pois o remédio que era distribuído pelo SUS até então necessitava de armazenamento em câmara fria, com temperatura entre 2°C e 8°C.
Já em dezembro deste ano, a pasta também começará a distribuir o tenofovir 300 mg, composto com a lamivudina 300mg em um único comprimido, o “2 em 1”. A nova formulação é produzida nacionalmente e distribuída pela Farmanguinhos/Fiocruz. Atualmente, cerca de 75 mil pacientes estão em uso das monodrogas, utilizando 1 comprimido de tenofovir e 2 comprimidos de lamivudina 150 mg ao dia.
Essa apresentação irá melhorar a adesão ao tratamento, por facilitar a administração dos medicamentos. A fórmula 2 em 1 será disponibilizada somente para os pacientes que não têm indicação clínica de uso conjunto com efavirenz 600 mg.
Atualmente, o Ministério da Saúde oferece 22 medicamentos com 39 fórmulas e, entre 2005 e 2013, o País mais que dobrou (2,14 vezes) o total de brasileiros em tratamento, passando de 165 mil, em 2005, para cerca de 350 mil em 2013.


Fonte:

terça-feira, 18 de novembro de 2014

1º de Dezembro: Dia Mundial de Luta contra a Aids



No próximo dia 1º, será celebrado o Dia Mundial de Combate a Aids. Este dia é comemorado no Brasil desde 1988. Por decisão do Ministério da Saúde, a data foi estabelecida devido a grande falta de informação sobre a doença e ao preconceito que a rodeava.
O intuito é que nesta data seja despertada a consciência da necessidade da prevenção, a promoção do conhecimento da doença e redução da discriminação que ainda há contra os soropositivos dentro da sociedade.
Todo ano, no dia 1º de dezembro, campanhas de prevenção da Aids são realizadas em todo o País e também ao redor do mundo. Esta data se apresenta como uma oportunidade para pessoas do mundo inteiro se unirem na luta contra o HIV, mostrando seu apoio às pessoas que vivem com o vírus e celebrando em nome daqueles que já faleceram devido à doença.




Hoje, dia 19 de novembro (quarta-feira), a partir das 11 horas, no vão do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, ativistas da luta contra a Aids se reunirão para lembrar as mortes em consequência da doença. Os manifestantes sairão em caminhada até a esquina da Paulista com a Augusta, carregando cruzes que simbolizam as mais de 12 mil mortes no Brasil. O ato, organizado pelo Fórum de ONGs/Aids de São Paulo (Foaesp), faz parte das atividades do Dia Mundial de Luta contra a Aids. A manifestação tem como intuito chamar atenção sobre o cenário da doença no país, no qual acredita-se que a maioria das mortes se dá pela dificuldade da população no acesso ao serviço de saúde.
Organizações internacionais recomendam a utilização da fita vermelha - símbolo de solidariedade e comprometimento na luta contra a aids, para demonstrar o seu apoio às pessoas que vivem com o HIV, além de usar seu conhecimento sobre a doença para orientar as pessoas a respeito da prevenção, importância dos exames e respeito aos soropositivos.

Por que utiliza-se o laço vermelho como símbolo? 


Em 1991, 10 anos após o surgimento do HIV, um grupo de 12 artistas se reuniu para discutir um novo projeto para o Visual Aids, organização de artes de Nova York que promove a conscientização da população sobre a doença. Após um brainstorm(tempestade de ideias) entre o grupo, o laço vermelho foi escolhido por causa da sua ligação ao sangue e à ideia de paixão. Os artistas se inspiraram na fita amarela utilizada em apoio aos militares americanos na Guerra do Golfo. O formato foi escolhido pela facilidade em reproduzir o laço por qualquer um.

Campanha 1º de Dezembro


Em breve, postaremos detalhes sobre a campanha que será realizada em comemoração a data com a colaboração dos acadêmicos do Projeto DST/Aids e Hepatites Virais em Alfenas-MG. Serão montados stands para distribuição de materiais educativos e preservativos, demonstração de uso de preservativos masculinos e femininos, testes rápidos e orientações sobre as DST's. Contamos com a presença de vocês!



Fonte:
  • World Aids Day. Disponível em: <http://www.worldaidsday.org/>.
  • Agência de Notícias da Aids. Disponível em: <http://www.agenciaaids.com.br/noticias/interna.php?id=22884>.
  • DST, AIDS e Hepatites Virais. Disponível em: <http://www.aids.gov.br/noticia/1o-de-dezembro-e-dia-mundial-de-luta-contra-aids>.

Fonte das imagens:
  • http://www.tumblr.com/search/world+AIDS+day
  • http://theybf.com/2012/12/01/world-aids-day-2012
  • http://www.worldaidsday.org/

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Glândulas de Tyson

Todo homem tem as chamadas glândulas de Tyson - pequenas estruturas no pênis que ficam entre a glande e o prepúcio e se parecem com espinhas esbranquiçadas. Na maior parte da população masculina, elas são pouco desenvolvidas e quase não aparecem. Mas, para cerca de 8% a 12% dos homens, elas se tornam hipertrofiadas, ou aumentadas, sem qualquer razão específica, apenas por uma questão genética. Muitos garotos, por falta de conhecimento, ficam constrangidos e temem que essas 'bolinhas' sejam sinal de alguma DST (Doença Sexualmente Transmissível). 
Em alguns jovens, as glândulas ficam maiores e geram receio de que seja alguma doença
"Quando elas aumentam de tamanho, têm um comportamento visual muito parecido com verrugas e por isso normalmente assustam e levam os indivíduos a se preocupar muito", explica o médico Sylvio Quadros, chefe do Departamento de DSTs da Sociedade Brasileira de Urologia. Apesar de as glândulas terem características distintas às de verrugas causadas por DST, como padrões de distribuição e localização, apenas o especialista é capaz de fazer essa diferenciação com segurança.
As glândulas de Tyson excretam substâncias que protegem e funcionam como lubrificante natural do órgão genital masculino. O acúmulo desse sebo dá origem ao esmegma, secreção esbranquiçada que às vezes se acumula no pênis. O nome dessas estruturas anatômicas não tem nenhuma ligação com o lutador de boxe norte-americano. A denominação mais popular é uma homenagem a Edward Tyson, cientista britânico que as descreveu pela primeira vez em 1694.
Arte UOL
Durante a ereção, as glândulas também parecem momentaneamente maiores. Nos homens em que são naturalmente mais desenvolvidas, elas se tornam proeminentes com a chegada a adolescência. "É nessa fase que os meninos começam a percebê-las e às vezes pensam que é uma doença que está relacionada à masturbação", conta o urologista André Milanezi Lorenzini, diretor técnico responsável de um instituto especializado em urologia em Belo Horizonte (MG).
Depois de postar um vídeo informativo sobre as glândulas de Tyson no YouTube, que já teve mais de 100 mil visualizações, o médico mineiro passou a ser o "salvador" de muitos jovens, que relatam nos comentários o alívio em saber que são "normais".
Alternativas arriscadas
As glândulas de Tyson aumentadas não são consideradas uma anomalia, apenas uma variante anatômica normal, que não acarreta nenhum sintoma nem exige tratamento. Entretanto, a aparência dessas glândulas proeminentes costuma incomodar os homens. 
As glândulas de Tyson são estruturas que ficam entre a glande e o prepúcio e se parecem com espinhas esbranquiçadas
Por vergonha de expor a condição ou ir ao médico, alguns rapazes buscam informações na internet sobre o assunto e métodos alternativos de eliminá-las. Não é difícil encontrar blogs e relatos acerca dessas experiências, na maioria das vezes inócuas e até arriscadas.
O vestibulando Elias, de Fortaleza (CE), que prefere não revelar publicamente o sobrenome, resolveu contar no blog "Viver com Glândulas de Tyson" suas tentativas de se livrar do problema por conta própria. A atitude mais radical do estudante foi decepar suas glândulas com a tesoura.
"Decidi cortar porque estava bastante deprimido com as glândulas. Eu tinha cerca de sete, todas localizadas perto do "freio" do pênis, e me incomodavam muito. Tive muito medo de pegar uma infecção e também sentir muitas dores", revela.
Por sorte, o procedimento não acarretou consequências mais graves à saúde de Elias, que diz que algumas das glândulas voltaram. O estudante afirma que ainda não teve coragem de ir ao urologista por vergonha e falta de maturidade, mas diz que pretende fazer isso daqui a algum tempo.
Enquanto isso, o jovem continua experimentando tratamentos alternativos para eliminar completamente as glândulas que sobraram. O urologista Sylvio Quadros alerta para os riscos envolvidos: "Dependo da substância usada, isso pode levar a formação de escaras, inclusive com alteração anatômica da região".
A criação do blog pelo menos ajudou Elias a perceber que não era o único a sofrer com essa situação. Antes de concluir, aos 15 anos, que tinha as glândulas de Tyson mais desenvolvidas, o estudante chegou a pensar que estava com DST. "Foi a primeira coisa que pensei, mas achei quase impossível porque na época eu era virgem", relembra Elias, atualmente com 19 anos.
Procedimento estético
Apesar de não acarretarem nenhum problema fisiológico, as glândulas de Tyson podem ser retiradas por razões exclusivamente estéticas. Os especialistas explicam que às vezes os homens ficam preocupados e até inseguros durante a relação sexual por causa da aparência do pênis e também, em alguns casos, pela necessidade de explicar que o que possuem não é uma DST.
Quadros ressalta a importância de analisar a condição de cada paciente individualmente para avaliar a necessidade do procedimento. "Conforme o tamanho, muitas vezes essas lesões são substituídas por uma cicatriz que é definitiva. É preciso avaliar caso a caso porque às vezes não compensa fazer a cirurgia", defende o médico.
O urologista relata que os homens chegam com muitas dúvidas ao consultório, frequentemente alimentadas por anos a fio até criar a coragem de procurar um especialista. "Isso cria uma problemática psicológica enorme, gerando às vezes problemas de disfunção erétil por causa de algo simples, de fácil resolução ou entendimento. Na maioria das vezes não há o que fazer, eles precisam ter consciência de que eles não têm uma doença", enfatiza Sylvio Quadros.
A eletrocauterização é um dos métodos mais empregados para a remoção das glândulas de Tyson. Segundo André Milanezi, o procedimento, realizado em ambiente cirúrgico, é simples e leva, em média, de cinco a dez minutos para ser executado, com anestesia local. A recuperação costuma acontecer em um período de até dez dias após a cauterização.
O urologista afirma que as glândulas não voltam, somente reaparecem caso não tenham sido cauterizadas totalmente. As complicações, como ressecamento, são muito raras e a eliminação das glândulas, explica Milanezi, não traz nenhum prejuízo, já que existem outros grupos excretores que também colaboram com a lubrificação do pênis. O médico mineiro, que faz pelo menos duas eletrocauterizações por mês, diz que o procedimento não deixa cicatrizes.

Por ter finalidade estética, geralmente os convênios não cobrem a cirurgia, que custa, em média, R$ 400. André Milanezi também expõe que muitas vezes alguns médicos relevam o problema e desencorajam os pacientes a fazer o procedimento, já que a condição não é uma doença. Mas ele acredita que é essencial, antes de tudo, levar em consideração o impacto que as glândulas têm na vida do paciente. "O problema pode virar uma cisma, uma preocupação, que afete indiretamente a vida sexual. Se está na literatura médica que se pode cauterizar, qual é o problema? Mas é importante lembrar que é um procedimento absolutamente estético", justifica.
Fonte: Glândulas no pênis deixam garotos constrangidos e com receio de DST. 
Disponível em : http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2014/01/13/glandulas-aumentadas-no-penis-deixam-alguns-garotos-constrangidos.htm

sábado, 8 de novembro de 2014

Estudo pede mais campanhas sobre DST para homens que fazem sexo com homens

O governo precisa intensificar as campanhas de conscientização direcionadas a homens que fazem sexo com outros homens para alertar sobre a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DST), defende um estudo divulgado hoje (7) pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC), da Fundação Oswaldo Cruz. A pesquisa analisou a sorologia de um grupo de 558 homens de Campinas (SP) que fizeram sexo com outros homens seis meses antes da coleta e mais da metade tiveram contato ou estavam infectados por algum causador de DST.

No grupo pesquisado, mais de um quarto dos identificados como soropositivos tinha contraído o vírus HIV, causador da aids, menos de seis meses antes da coleta. A chefe do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do IOC, Mariza Morgado, destacou que a volta do crescimento da contaminação entre homens, especialmente entre os jovens de 15 a 24 anos, requer uma resposta do governo que vai além das campanhas feitas no carnaval. "É preciso focalizar mais as campanhas, porque é o grupo em que a gente observa um certo recrudescimento da epidemia [de aids]", argumentou.

A pesquisadora defende que a prevenção do HIV conte com o uso de antirretrovirais pré-exposição. Esses remédios seriam tomados regularmente para combater o vírus caso haja contato, potencializando a prevenção. "A gente precisa ter alguma coisa que previna a expansão da infecção e, hoje, o que tem se mostrado mais efetivo é o tratamento", diz. "É claro que tudo isso tem que estar associado ao uso de camisinha e medidas preventivas tradicionais".
Pesquisa prevenção do HIV conte com o uso de antirretrovirais pré-exposição Arquivo/Agência Brasil
Entre os homens pesquisados, os exames apontaram 7,6% de infectados pelo HIV, um percentual cerca de 20 vezes maior que o registrado na população brasileira em geral. No entanto, a incidência é bem inferior aos 31,9% que tiveram contato com o HPV do tipo 16, e dos 20,3% que se expuseram ao HPV do tipo 18. Esses dois tipos do papiloma vírus humano são os mais associados ao câncer - quase 90% dos casos de tumores malignos no ânus e cerca de 40% dos que atingem o pênis estão relacionados ao HPV. Ao todo, o percentual que teve contato com ao menos um desses dois tipos de HPV chegou a 40% na população pesquisada. Esse contato, porém, não resulta em uma infecção persistente na maioria das vezes.

"[O HPV] é uma das DST mais comuns no mundo. Só que, na maior parte dos casos, o sistema imunológico controla e a lesão some com o tempo. Em menos de 1% pode evoluir para o câncer", explicou Alcina Nicol, pesquisadora do Laboratório Interdisciplinar de Pesquisas Médicas do IOC. Alcina defende que os meninos também passem a receber a vacina contra o HPV, que já é dada em meninas para prevenir o número de casos de câncer de colo de útero, pois quase 100% desses tumores malignos estão associados ao HPV.

Alcina destaca que a vacinação é importante principalmente para portadores de HIV. Segundo o estudo, o contato com o HPV do tipo 16 entre esse grupo chega a 60,9%, e, para o tipo 18, a 46,3%, bem acima das taxas gerais. "O paciente HIV positivo tem tido uma alta prevalência de câncer anal, o que já foi mostrado pela literatura [médica]. Isso é por causa da baixa da imunidade", explica. Segundo o portal do Ministério da Saúde sobre DST, soropositivos só devem tomar vacinas com orientação médica.

O estudo também levantou informações sobre as hepatitites B e C, além do vírus HTLV. Apesar dos 30 anos de campanhas de vacinação contra a hepatitite B, 55% dos pesquisados não estavam imunizados, e 11,4% estavam infectados. Sobre a hepatite C, o estudo constatou que, na população pesquisada, a incidência da doença foi 1%, coincidindo com pessoas que se declararam usuárias de drogas. O mesmo ocorreu com o vírus HTLV, apesar de sua principal forma de transmissão ser o aleitamento materno.

Para chegar aos entrevistados, a pesquisa contou com o engajamento deles próprios. Cada pessoa entrevistada e examinada convidava mais três pessoas para responderem e se submeterem aos exames, formando uma rede. Tal metodologia não permite que o grupo seja tomado como amostra da população de Campinas, de São Paulo ou do país, mas aponta conclusões que orientaram as recomendações. Uma delas é a importância de campanhas nas escolas e o papel da escolaridade na prevenção. "Quão melhor é a escolaridade, mais o indivíduo se arma de conhecimento e acaba evitando a infecção. Quem tem menos escolaridade está se contaminando mais", diz Mariza Morgado.
A camisinha é indicada como a
principal forma de prevenção
da maior parte das DST
Arquivo/Agência Brasil
 A camisinha é indicada como a principal forma de prevenção da maior parte das DST e pode ser obtida gratuitamente em toda a rede pública de saúde. No Disque Saúde (136), é possível obter informações sobre a prevenção e onde obter o preservativo. Segundo o Ministério da Saúde, o preservativo oferece 10 mil vezes mais proteção contra o vírus da aids do que a sua não utilização, e apenas um deve ser utilizado por vez, já que usar dois ao mesmo tempo aumenta as chances de rompê-lo. Além do uso no sexo vaginal e no anal, também é recomendado o uso no sexo oral.

Procurado pela Agência Brasil, o Ministério da Saúde informou, por meio de nota, que faz, anualmente, duas grandes campanhas de massa em âmbito nacional, uma durante o carnaval, que se estende ao longo dos principais eventos do ano - como festas regionais, como micaretas - e a outra em 1º de dezembro, Dia da Luta contra a Aids. As campanhas são voltadas para o público considerado sexualmente ativo (entre 15 e 49 anos) e os jovens gays (principalmente entre 15 e 14 anos). Além das campanhas, são feitas ações conjuntas com as secretarias municipais e estaduais de Saúde de todo o Brasil e com organizações não governamentais (ONGs) em eventos regionais.

O Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do  ministério desenvolve projeto de teste rápido de HIV/aids por fluido oral com 50 ONGs parceiras de 20 estados e do Distrito Federal, com resultado em até 30 minutos. De acordo com o ministério, a prioridade no novo método, iniciado em março de 2014, é para as populações que apresentam maior vulnerabilidade à infecção pelo HIV (homens que fazem sexo com homens, gays, profissionais do sexo, travestis, transexuais, pessoas que usam drogas, pessoas privadas de liberdade e em situação de rua).

A nota ressalta o esforço do Ministério da Saúde no diálogo direto com jovens gays, homens que fazem sexo com homens, travestis e transexuais, por meio de campanha publicitária e meios alternativos, como aplicativos e redes sociais.


Da Agencia Brasil